O poeta está enterrado desde 1992 em sua casa de Isla Negra, na costa central chilena, junto a sua última esposa, Matilde Urrutia. Neruda, membro do Partido Comunista, morreu 12 dias depois do golpe de Estado de 11 de setembro de 1973 que derrotou seu amigo, o presidente socialista Salvador Allende, e instaurou a ditadura de Augusto Pinochet até 1990.
Em uma versão defendida na época por Urrutia e a fundação que administra a obra do poeta, Neruda morreu vítima do agravamento de um câncer de próstata. No entanto, em 2011, Manuel Araya, seu motorista e assistente pessoal afirmou que o poeta foi envenenado por agentes da ditadura. Em junho de 2011, a justiça chilena aceitou investigar o caso após pedido apresentado pelo PC com base nos relatos de Araya. "A convicção (para ordenar a exumação) está nos antecedentes que deram origem ao processo, tínhamos que determinar se era factível a diligência, e a partir disso tomamos a decisão, explicou o juiz Carroza.
Araya defende que o poeta foi envenenado por meio de uma injeção, quando estava internado na Clínica Santa María de Santiago, dias antes de viajar ao México, onde planejava se refugiar após a instalação da ditadura. A justiça chilena também investiga a morte em 1982 do ex-presidente chileno Eduardo Frei (1964-1970), que foi envenenado na mesma clínica. Já a morte de Allende foi confirmada como suicídio em meio ao bombardeio do palácio presidencial durante o golpe de Estado.