Ele não foi só um grande jornalista - e um grande crítico de cinema. José Carlos Avellar foi também um inflamado defensor do cinema brasileiro. E, por mais que seu coração batesse forte por cineastas autorais e políticos, era suscetível às questões de mercado. Foi dirigente da RioFilme e, no período em que exerceu a função, entre 1995 e 2000, a empresa lançou filmes que fizeram história no cinema do País.
Avellar morreu nessa sexta, aos 79 anos, de complicações provocadas por quimioterapia, no tratamento de linfoma. Estava internado no Hospital São Lucas, em Copacabana, na zona sul do Rio. O velório será neste domingo, às 11h, e o corpo será cremado às 16h no Memorial do Carmo, no Caju.
Desde 2008, Avellar era responsável pela programação de filmes do Instituto Moreira Salles, que lamentou sua morte em uma nota oficial. "Avellar era capaz de ememorar cenas específicas, descrevendo em detalhes o mais singelo plano de um filme assistido décadas atrás. Seus artigos e ensaios exibiam vasto conhecimento da produção mundial e da história do cinema."
Nascido em 1936, no Rio, formou-se em jornalismo e trabalhou durante 20 anos no Jornal do Brasil, onde firmou a reputação como crítico. Participou de júris oficiais e de críticos em Cannes e Veneza e, por muitos anos, foi representante brasileiro no Festival de Berlim.
Na Berlinale deste ano, em fevereiro, amigos de todo o mundo já lamentavam o agravamento de seu estado de saúde. Seu método de análise era inconfundível - Avellar partia de cenas que dissecava, buscando, por meio delas, a apreensão total do sentido do filme e das intenções do autor. Pensava com clareza e escrevia com profundidade, mas poderia ser o contrário. Não era menos que brilhante.
Crítico José Carlos Avellar será enterrado neste domingo
Ele morreu nesta sexta-feira de complicações provocadas por quimioterapia