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Crise conjugal é tema dominante no Festival de Berlim

Coreano "Faça Chuva, Faça Sol" conta a história de um casal dentro de um apartamento

Faça Chuva, Faça Sol conta a história de um casal dentro de um apartamento
Faça Chuva, Faça Sol conta a história de um casal dentro de um apartamento Foto : Valery Hache / AFP
A crise do casal tradicional é o tema predominante entre os mais de 10 filmes de todo o mundo que disputam este ano o Urso de Ouro do Festival de Cinema de Berlim. Nesta quinta-feira, foi projetado "Faça Chuva, Faça Sol" (Come Rain, Come Shine), do sul-coreano Lee Yoon-ki.

O fim do amor e a separação entre duas pessoas que conviveram durante anos (neste caso Frau e Mann, interpretados pelos conhecidos atores sul-coreanos Lim Soo-jeong e Hyun Bin) também é o tema das histórias contadas em "Um Mundo Misterioso", do argentino Rodrigo Moreno, e sobretudo "Nader and Simin: a separation", do iraniano Asghar Farhadi.

Com diferentes matizes, o tema reaparece em "O Futuro", da americana Miranda July, e "Doença do Sono", do alemão Ulrich Kohler. "O tema é universal. E por isso aparece em filmes da Ásia, da Europa e da América do Sul", avaliou o diretor Lee Yoon-ki, que mostra no filme a dor da separação de forma indireta, com símbolos que não são dramáticos, mas ao contrário, fazem sorrir.

Frau e Mann são jovens sul-coreanos com bom nível de vida, que moram nos arredores de Seul. Ela trabalha com publicidade e ele é arquiteto. A história começa quando ele a leva ao aeroporto para uma viagem de trabalho que deve durar o fim de semana. Durante o trajeto, ela revela que não quer continuar vivendo com ele.

Mann não sabe o que dizer e durante todo o filme, enquanto o casal divide fotos e lembranças, parecerá resignado, entendendo que ela ama outro. Só quando ele for cortar as cebolas do que será a "última ceia" do casal, cairá em prantos. "É uma meditação sobre a separação de duas pessoas que se amavam. O título vem de uma canção muito conhecida na Coreia. Embora chova e estejamos tristes, também virão momentos felizes, o sol voltará a brilhar. E vice-versa", comentou Yoon-ki, que já participou quatro vezes da Berlinale com filmes anteriores.

O filme foi realizado com poucos recursos. Toda a história se passa no apartamento do casal, enquanto do lado de fora não para de chover. O telejornal anuncia que continuará chovendo até o dia seguinte e que há inundações e pontes derrubadas. Os diálogos e a delicada direção permitem a Yoon-ki avançar em pequenos detalhes até o desenlace, como o gato dos vizinhos que, encurralado pela chuva, vai parar na varanda. O casal volta a se unir momentaneamente para resgatá-lo e secá-lo. De repente, um raio de sol entra pela janela.

A atriz Lim Soo-jeong disse que talvez este filme não atraia milhares de espectadores na Coreia do Sul, mas admitiu que ao ler o roteiro sentiu que havia "uma proposta autoral, algo intimista, com grande qualidade artística”. “Se todos os filmes coreanos fossem de caratê e ação, nosso cinema estaria em perigo. Estou certa de que 'Faça Chuva' encontrará seu público, que agradará a algumas pessoas", afirmou.

Seu "ex-companheiro" diante das câmeras, Hyun Bin, também disse que "ler o roteiro era como ler o diário de alguém”. “Precisamos deste tipo de filmes, lentos, profundos, longos. A sensação do adeus, a emoção, vai acontecendo pouco a pouco, com detalhes que são pincelados.”

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