O Palco Virtual, realizado pelo Itaú Cultural em seu site, tem a dança como fio condutor do trabalho de artistas que se mobilizaram para fazer criações durante o período da pandemia ou de momentos anteriores à discussão sobre a relação física com a cidade e com outros indivíduos – ambas suspensas na atualidade.
A programação conta com grupos de diferentes regiões do Brasil. Nesta sexta-feira, a apresentação é de “Elo”, da paulista T. F. Style Cia de Dança. Premiado como a Melhor Estreia de 2019 pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), o espetáculo é o registro de uma proposição poética feita para espaços alternativos, que coloca em diálogo corpo, arquitetura e público em busca de outro olhar para a cidade, habitando o invisível. Questionando qual é a urgência deste corpo hoje, vê ele somado ao outro, criando entendimentos desatados, desacorrentados, mas unidos pelo brincar, pelo mover, pelo afeto.
No sábado, a mostra é aberta por “Lugar Comum”, com Aldinete de Souza, integrante do Centro de Pesquisas Cênicas, de Alagoas. A videodança parte da variável entre espaço e tempo, no qual o primeiro se transforma ao longo do segundo e pode ser ocupado por pessoas diferentes. No roteiro, a rua é onde o indivíduo se sente dono do espaço que ocupa.
Na sequência, “Enlugar” traz um registro com contexto histórico cultural amazonense. O registro da performance presencial foi realizado em 2019 por Raíssa Costa. Ela surge de reflexões e experimentos sobre a relação corpo-espaço, a partir das casas abandonadas do centro de Manaus. O espetáculo que fecha esta edição do Palco Virtual é “Goldfish”, do coreógrafo Alexandre Américo, do Rio Grande do Norte, sobre solidão.