A trajetória de Oscar Wilde (1854- 1900), em especial o período em que cumpria pena na Prisão de Reading (Londres), é o mote de “De Profundis”, obra redigida em forma de carta e endereçada ao Lord Alfred Douglas, com quem o escritor irlandês mantinha um relacionamento. Protagonizado por Elison Couto, em seu primeiro solo, tem direção de Dilmar Messias e co-direção de seu filho, Gabriel Messias. A estreia ocorre no Teatro Bruno Kiefer, no 6º andar da Casa de Cultura Mario Quintana (Andradas, 736), desta quinta-feira até domingo, 20h.
No palco, as reflexões do intelectual, condenado a trabalhos forçados por “indecência grave”, no processo movido por John Douglas - Marquês de Queensberry - pai de Alfred. Com o jovem de família aristocrata, mas falida, Oscar manteve um relacionamento extravagante, tóxico e de dependência emocional. No auge de sua carreira e fama, quando estava com duas peças em cartaz em Londres e tinha acabado de montar “Salomé” em Paris, ele perdeu tudo: filhos, esposa e fortuna. Ficou dois anos no cárcere e ao sair retomou a relação com seu amado, a quem dedicou um poema, com pseudônimo, que garantiu que não caísse na mendicância. Mudou-se da Inglaterra para a França e morreu dois anos depois.
“Ele foi um homem que, de certa forma, provocou a sociedade aristocrática, criticando através de aforismos”, diz Dilmar Messias, pesquisador de O.W., que em 1999 montou “O Retrato de Oscar Wilde”. Os ensaios começaram remotamente, em março de 2020 e seguiram por vídeo e depois presenciais, entre lockdowns e flexibilizações. A seguir chamaram Gabriel, que estudou cinema e teatro em Los Angeles (EUA), onde morou por cinco anos e na volta fez treinamento com o grupo Lume (Campinas). Ao ingressar na equipe na fase posterior à concepção, conversa e dramaturgia, o jovem de 32 anos se concentrou na encenação, e se surpreendeu com a facilidade do processo, no seu primeiro trabalho como diretor cênico, cujo resultado considerou orgânico. Sobre o texto, declarou: “é muito atual, estamos falando de um passado que está sempre presente em nossa rotina”.
“O Dilmar é um estudioso da obra de Wilde e é muito certeiro ao orientar. Já o Gabriel foi no detalhe e me ajudou a esmiuçar o texto, com suas formas, pausas, velocidades, tempos e intenções. Aí eu fui juntando o que eu tinha com o pai e tava aprendendo com o filho. Os dois se completam de forma fantástica”, afirma Élison, empolgado, ao estrear um solo em quase 42 anos de trajetória. O artista destaca a importância da maquiagem, feita por em seu corpo inteiro, por Denise Souza. A trilha sonora é executada ao vivo, no piano, por Elaine Foltran.