Arte & Agenda

De sonho realizado no esporte a revelações, na mesa, em livros

Entre os lançamentos deste final de ano, destaque para ‘Sonho’, de Carlo Ancelotti com Chris Brady e ‘O Que eu Comi em um Ano’, de Stanley Tucci

Do mundo do futebol, com Ancelotti, ao universo da gastronomia íntima sob o olhar de Tucci
Do mundo do futebol, com Ancelotti, ao universo da gastronomia íntima sob o olhar de Tucci Foto : Montagem CP / Planeta / Intrínseca / Divulgação / CP

Há personagens que transcendem o esporte. Outros que se tornam parte da cultura universal. E há Carlo Ancelotti, que faz as duas coisas ao mesmo tempo enquanto levanta taças como quem respira. O lançamento de “O Sonho”, publicado pela Editora Planeta, não é apenas mais um capítulo na prateleira das autobiografias esportivas. Trata-se de um convite para atravessar as portas de um dos cérebros mais influentes do futebol moderno. Enquanto inicia uma nova e empolgante fase da carreira como treinador da seleção brasileira, reflete no livro sobre seu amor pelo título mais cobiçado do futebol mundial.

Começa a obra contando sobre seus primeiros momentos no futebol, envolvendo dois dos maiores cineastas de todos os tempos. Eles filmavam próximo da casa do jovem que já amava o futebol, mas pouco entendia do universo da sétima arte. E foi seguir a bola.

Ancelotti venceu onde poucos ousaram competir. Conquistou títulos nacionais nas cinco principais ligas da Europa, comandou vestiários estrelados em clubes como Milan, Juventus, PSG, Bayern, Chelsea e Real Madrid. Sempre com aquela calma quase provocadora, como se o caos fosse apenas mais um detalhe tático. Mas sua verdadeira assinatura está na Champions League, território que muitos veneram e poucos compreendem. Duas vezes campeão como jogador, cinco vezes como técnico: números que não apenas assustam, mas redefinem o que significa ser vencedor.

Agora, prestes a escrever um novo capítulo como treinador da Seleção Brasileira, Ancelotti abre sua mente em um relato que mistura memória, obsessão e método. “O Sonho” não revela apenas a engenharia por trás de suas estratégias. Revela o homem que transformou o futebol europeu, e que continua influenciando líderes em áreas que vão muito além das quatro linhas.

Ao folhear as páginas, não encontramos só decisões táticas ou bastidores glamourosos. Encontramos a construção de pensamento. A costura delicada entre liderança, sensibilidade e disciplina. Ancelotti é o raro personagem capaz de habitar, ao mesmo tempo, o universo pop, a literatura esportiva e o imaginário coletivo do torcedor comum. Esta autobiografia é um lembrete provocador: para entender o futebol que molda a cultura contemporânea, é preciso entender Carlo Ancelotti. Um estrategista, um contador de histórias, um arquiteto de emoções e agora parte viva da identidade brasileira. ‘O Sonho’ é enxergar o futebol por dentro dos olhos de quem nunca parou de vencê-lo.

Saindo do universo esportivo e trazendo um personagem do mundo do cinema, outra dica literária é “O Que eu Comi em Um Ano - e Outras Reflexões”, da editora Intrínseca. Na obra, Stanley Tucci chega novamente às prateleiras e, como sempre, chega com fome. Mas desta vez, ele devora a própria vida. No lançamento de seu novo livro, o ator que conquistou Hollywood mostra um retrato íntimo de si mesmo, servido prato a prato.

Tucci, que há muito deixou de ser apenas um intérprete para se tornar também um cronista da experiência humana, mergulha na literatura com o mesmo rigor sensual com que mergulha uma colher numa sopa perfeita. Seu novo livro não é apenas um diário gastronômico, é um manifesto emocional temperado por caldo de memória, cebolas douradas de nostalgia e, claro, a acidez elegante do seu humor. Aqui, cada garfada vira argumento literário. A “stracciatella” sorvida à sombra do Panteão transforma-se num ensaio sobre pertencimento. O marinara improvisado nos intervalos de filmagem de “Conclave” vira poesia sobre disciplina, rotina e caos criativo. A pizza dividida com os filhos antes de dormir é quase ficção científica sobre como o tempo insiste em escapar pelas bordas da massa. Há pratos sublimes e refeições desastrosas. Tão humano quanto deve ser.

Guia de Programação: a grade dos canais da TV aberta desta quarta-feira, dia 14 de janeiro de 2026

As informações são repassadas pelas emissoras de televisão e podem sofrer alteração sem aviso prévio