Uma curiosidade que surgiu na conversa foi de Bernardet, ao comentar como adaptou o livro "Prova Contrária", de Fernando Bonassi: “Eu não li, mas pedi a Tatá que me contasse a versão dela sobre o livro. Queria contar a visão dela. A partir daí, eu e Rubens Rewald escrevemos a primeira versão. Mas nossa matéria ficcional precisou ser multiplicada por dois para chegar ao formato que tem hoje”, explicou.
Segundo ele, vários elementos que atuam como eixo temático do filme foram colocados na narrativa por Felipe Sholl. Perguntado sobre o processo de composição do personagem, Cesar Troncoso afirmou: "eu sou ator, eu não penso”. E explicou: “A gente tem muita coisa no corpo, na vida, no que observa e vivencia e coloca isso a serviço da personagem. Eu vivi a ditadura, não sofri exatamente na pele, mas fui criado sob uma ditadura e isso fica pra sempre”.
Tata Amaral revelou que a obra tem uma composição pessoal e familiar. O filme é dedicado a Luiz Carlos Alves de Souza, pai da filha da diretora. “Ele morreu quando ela tinha três meses. É dedicado porque é um filme sobre uma pessoa que não quer se lembrar, que não quer falar e eu mesma não tinha coragem de contar que o pai dela tinha se suicidado”.
O Festival de Brasília do Cinema Brasileiro segue até a próxima segunda feira, quando ocorre a entrega dos prêmios aos melhores do evento. No sábado, são esperados os atores Rodrigo Santoro e Nicola Siri, que devem acompanhar a exibição do filme "Meu País", de André Ristum.