A Companhia de Dança Deborah Colker retorna ao palco do Teatro Fiergs (Assis Brasil, 8787) para uma especial e curtíssima temporada do seu mais recente trabalho intitulado “Remix”. Os porto-alegrenses vão poder conferir, em primeira mão nesta sexta-feira e sábado, às 21h, o espetáculo que reúne cenas extraídas de “Vulcão” (1994), “Rota” (1997), “4x4” (2002) e “Belle” (2014), incluindo as coreografias com vasos suspensos e roda gigante.
O lançamento ocorre na esteira das comemorações das três décadas de existência da Companhia. Após “Sagração” (2024), a coreógrafa Deborah Colker e o diretor executivo João Elias entenderam que era o momento para extrair do próprio repertório algo com uma perspectiva totalmente inovadora.
Legado e paixão pela Capital
A ideia surgiu em 2025 quando Deborah foi agraciada com o título de Cidadã Honorária de Mesquita, na Baixada Fluminense. No dia da cerimônia, havia uma exposição montada com retrospectiva da Companhia e apresentação de dança por crianças. “A homenagem das crianças nos impactou e percebemos que nossas décadas de trabalho têm construído um legado. Era o momento de olhar para nossa própria história”, revela o gaúcho Elias e cofundador da companhia. “Porto Alegre sempre foi muito importante, onde vivemos ótimas histórias. É uma cidade fundamental em nossas turnês. Estou e estamos felizes de fazer uma estreia na minha cidade”.
Revisitar a trajetória pessoal e artística
Para Deborah, o trabalho também desvela outra camada. “Desde 2024, venho enfrentando duras batalhas na vida pessoal que me forçaram a olhar ainda mais para dentro de casa. Minha família e a Companhia são a minha vida”, pontua. “Seguindo esse fluxo, para mim, foi muito natural fazer esse movimento de revisitar nossa própria trajetória”. Ela destaca ainda que “Remix”, mesmo sequenciando cenas de várias obras, é diferente de tudo já visto antes. “Como toda obra de arte, um livro que você relê, uma música que você ouve outra vez, um filme que você revê, o público vai sentir novas emoções com Remix".
Inovação e espetáculo em dois atos
Elias destaca a dramaturgia assinada por ele. “São dois atos com emoções diferentes. No primeiro, há o encontro com sentimentos mais densos e explosivos. No segundo, tem alegria e leveza”. E avisa. “É a produção mais ousada da Companhia para os palcos. São toneladas de equipamentos, muitas pessoas envolvidas e uma grande estrutura de montagem”. A equipe se completa com a cenografia de Gringo Cardia, que assina os cenários originais. Os figurinos são Claudia Kopke, que atualiza os originais de Yamê Reis e Samuel Cirnansck. Berna Ceppas conduz a fusão da trilha sonora. “Remix” é o 3ºº projeto especial da Companhia que remasteriza o repertório. E diferencia-se de “Mix” (1995) e “Vero” (2016) pela dramaturgia em dois atos. O elenco com 16 bailarinos dança, na primeira metade, “Paixão” do espetáculo “Vulcão” (1994), a cena da cortina de “Belle” (2014) e os vasos de “4x4” (2002), com solo de piano por Patrícia Glatzl. O fechamento é com “Gravidade” e “Roda” do espetáculo “Rota” (1997).