O espetáculo pode ser visto na quinta e na sexta-feira, às 21h, no Teatro do Sesi. Os ingressos com valores de R$ 50 (mezanino) e R$ 80 (plateias) podem ser adquiridos pela telentrega 3231-4142, pelo site ou pelo fone 4003-1212.
Confira a entrevista:
Correio do Povo - Quais as dificuldades que tiveste para traduzir a densidade do texto de Púchkin para a dança?
Deborah Colker - É a primeira vez que adapto um livro. Traduzir uma história em movimentos e gestos é um grande desafio. A minha intenção nunca foi narrativa, mas sim contar a história através de sentimento e da transformação dos personagens. Ao mesmo tempo em que foi um desafio, me apaixonei pelo Púchkin e pelos personagens. O desafio foi difícil, mas rico.
CP - O drama de Tatyana e Oniéguin está presente ainda no mundo contemporâneo?
Deborah - Com certeza. Eu me apaixonei por essa história, pois a reconheço nos dias de hoje. Qual o sentido de montar um romance do século XIX se ele não me tocou profundamente? Posso perceber questões fundamentais tratadas no livro, como: escolha, amor, ética, amizade, natureza – para dizer alguns pontos que Púchkin se aprofunda e trata com elegância e inteligência.
CP - Alguns críticos falam que você preferiu uma montagem mais clássica, correu riscos. O que, na sua opinião, é mais clássico e mais contemporâneo na montagem?
Deborah - Escolhi trazer o próprio Púchkin para a cena e trazer só quatro dos personagens que aparecem no livro. Cada personagem é representado por quatro bailarinos, sendo que Púchkin é apenas representado por um bailarino e com pequenas participações minhas. Tanto no figurino, no cenário, na música, quanto na adaptação da história, acredito que tomei atitudes muitas vezes clássicas e muitas vezes contemporâneas. Mas não é fácil honrar o mundo clássico e através dele abrir novas janelas.
CP - Gostaria que você falasse também da simbologia da árvore como representação do rural, esquecido no mundo cada vez mais urbanizado e urbanizador.
Deborah - No primeiro ato a árvore simboliza o campo, a aristocracia rural. Púchkin fala muito das quatro estações, de como a mudança da temperatura e da vegetação modifica o comportamento das pessoas. O personagem Lenski é a essência do romântico, um poeta apaixonado pela natureza, pela vida, acredita no amor e na amizade. A árvore representa o campo e também a casa de Tatyana e o pequeno quarto onde ela escreve a carta e declara sua paixão por Onieguin. A árvore tem 7 metros de altura e 7 galhos recortados, traduzindo um pouco do construtivismo russo do século.
CP - Qual a próxima montagem que está sendo gestada?
Deborah - Estamos remontando o espetáculo "Nó", de 2005, que tem como tema o desejo. Este espetáculo introduz uma virada importante na dramaturgia do meu trabalho.
CP - Queria que você falasse um pouco sobre se apresentar em Porto Alegre. Sei que você tem muitos amigos por lá e até faz sua aula de ballet regularmente quando está na capital gaúcha?
Deborah - Tenho um carinho especial por Porto Alegre. Meu parceiro, produtor e empresário, João Elias é gaúcho, já estreamos vários espetáculos em Porto Alegre. É uma cidade culturalmente importante para o Brasil.
CP - Como última pergunta, a clássica "O que mudou na sua carreira com a montagem de Ovo e com o contrato com o Cirque Du Soleil"?
Deborah - "Ovo" foi um grande desafio na minha vida, uma grande produção, uma grande ambição. Um espetáculo que ficará 15 anos em cartaz, para todas as idades e para o mundo todo. Sofri muito, mas aprendi muito. "Ovo" é um espetáculo que me dá uma alegria e demarca caminhos novos na minha trajetória como artista.