Nesta quarta-feira, 22 de julho, Deborah Finocchiaro sobe ao palco do Espaço 373 (Comendador Coruja, 373) para homenagear os 120 anos de nascimento do poeta e mestre da palavra Mario Quintana. Seus poemas, crônicas e trechos de entrevistas são a ponte que Deborah atravessa — entre a fala, o gesto, imagens e a música - para apresentar seu vasto universo, que traz questões que dizem respeito a todas e todos nós: os valores da sociedade, da vida e da morte e, principalmente, a condição humana.
Contestando valores, pesquisando e subvertendo formas, Mario Quintana (1906 – 1994) transcendeu o conceito de escola literária e notabilizou-se pelo padrão de suas obras. Sua poética colabora para expandir o pensamento sobre questões cruciais do nosso tempo. Nesta homenagem, se revela não apenas o Quintana confessional e lírico dos poemas, mas sua face pouco conhecida: a das entrevistas e frases agudas, desconcertantes e surpreendentes.
A vida e a carreira do poeta
Nascido em 30 de julho de 1906, em Alegrete, Mario de Miranda Quintana era o caçula entre 11 irmãos. Foi alfabetizado em casa, pelos pais. Aos 7 anos, falava francês. Aos 13, para seu desgosto, foi enviado a Porto Alegre pela família para estudar em regime de internato no severo Colégio Militar, abandonado antes da conclusão do primeiro grau. Seus primeiros escritos foram publicados na revista "Hiloea", do colégio. Depois de mais um período em sua cidade natal, Quintana voltou a Porto Alegre em 1926, ano fundamental em sua vida; além de se empregar na Editora Globo — que publicaria todos os seus livros — venceu um concurso de contos promovido pelo jornal "Diário da Noite", ganhando inesperada notoriedade. Descoberto por Érico Verissimo, Mario Quintana era um poeta profundamente lírico, avesso a entrevistas e à fama, mas foi candidato eterno à Academia Brasileira de Letras.
Suas primeiras produções literárias foram publicadas numa revista do Colégio Militar. Em 1926 ganhou um concurso de contos do "Diário de Notícias" de Porto Alegre com o título "A sétima personagem" e, quatro anos depois, com o advento da "Revista do Globo", começou a publicar suas primeiras poesias. Tornou-se tradutor, pela Editora Globo, a mesma que publicaria "A Rua dos Cataventos", em 1940, o primeiro dos 56 livros que escreveu. Em 1953, Quintana foi contratado pelo Correio do Povo, escrevendo para o Suplemento Literário, Caderno de Sábado e outros suplementos do jornal, principalmente com o seu Caderno H, tendo ficado ligado ao periódico até o ano de sua morte, 1994.
Reconhecimento e legado
Em 1981, após ter conquistado a admiração de nomes como Manuel Bandeira, Augusto Meyer e Carlos Drummond de Andrade com o livro "O aprendiz de feiticeiro", o poeta recebeu o Prêmio Machado de Assis e também o Prêmio Jabuti de Personalidade LIterária do Ano. Era o reconhecimento nacional de sua obra, já bem próximo de sua morte. O poeta morreu em 5 de maio de 1994, aos 87 anos de idade, de insuficiência respiratória, no Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre.
O espetáculo tem direção, roteiro e atuação de Deborah Finocchiaro, músicas de Chico Ferreti e imagens de Zorávia Bettiol, com realização da Companhia de Solos & Bem Acompanhados. Os ingressos antecipados podem ser adquiridos na plataforma Tri.RS.