Os veteranos do Deep Purple não decepcionaram os milhares de fãs que lotaram o Auditório Araújo Vianna nesse sábado. As gerações se misturavam nas cadeiras do tradicional palco porto-alegrense. Senhores de cabelos brancos e barrigudos ao lado de jovens de 15, 16 anos, cabeludos, e de camisas pretas. Uma irmandade roqueira para ver a sexta apresentação da banda inglesa em terras gaúchas. Exatamente às 20h58min, as luzes do local se apagaram e uma voz feminina anunciou: "Senhoras e senhores, o espetáculo vai começar". E que espetáculo. um minuto depois, aparecia, os vovozinhos do hard rock/heavy metal Ian Gillan (vocais), Roger Glover (baixo), Ian Paice (bateria), Don Airey (teclados) e Steve Morse (guitarra), já levantando a galera ao som do clássico "Highway Star". O som no começo estava meio abafado, mas aos poucos os técnicos acertaram a equalização e tudo rolou perfeito até o final.
Na sequência, vieram "Into the Fire", "Hard Lovin' Man", "Strange Kind of Woman", a novíssima "Vincent Price', do disco Now What?!, e homenageando o grande ator inglês dos filmes de terror. Logo chegavam "Contact Lost", "Uncommon Man", "The Well-Dressed Guitar", "The Mule", "Lazy", "Hell to Pay". Após esta música, também do último disco, lançado no ano passado, um solo de teclados do simpático Don Airey, que começou mostrando um pedacinho de "Mr. Crowley", clássico do Ozzy Osbourne, a quem ele acompanhou. E no final, a surpresa, quando apareceram trechos do "Hino Rio-grandense", cantados com toda a fúria pela plateia. Então o Araújo Vianna explodiu quando começou a genial "Perfect Strangers", clássico de 1984, que marcou a volta da banda após seis anos de hiato.
Sem deixar o público respirar, os velhinhos soltaram "Space Truckin'", da obra-prima "Machine Head", que teve ainda "Smoke on the Water". A galera sentiu que o show estava terminando. E estava mesmo, quando Ian Gillan deu boa-noite, as luzes se apagaram e os músicos deixaram o palco. Mas voltaram para o bis, após os intensos gritos de "Deep Purple, Deep Purple, Deep Purple". E eles voltaram, soltando "Green Onions", "Hush", e encerrando a noite com Black Night.
Após longos solos de guitarra de Steve Morse, o novato do grupo, de apenas 59 anos, o vigor de Ian Paice na bateria, apesar de quase seus 70 anos, e a movimentação elástica de Roger Glover, parecia que o show tivesse durado mais de três horas. Mas não. Desde o início, às 20h59min, até o final, haviam se passado apenas uma hora e 45 minutos. Eram apenas 22h45min quando o Deep Purple se despediu do público, que brilhava os olhos de emoção depois de ter escutado ao vivo músicas que marcaram várias gerações. Lá fora, o calor da primavera gaúcha aguardava os roqueiros felizes. Inesquecível.
Deep Purple empolga público em Porto Alegre
Roqueiros veteranos tocaram no Araújo Vianna nesse sábado