Sem surpresas significativas entre os concorrentes, a 60ª edição do Festival de Berlim (Berlinale) é uma seara repleta de personagens solitários, famílias em conflito e temas já recorrentes com tons político e religioso.
Representante da última vertente, o filme "Shahada" (A Fé), do cineasta alemão de origem afegã Burhan Qurbani, apresenta a história de três jovens muçulmanos de Berlim que têm a sua fé submetida a testes na sociedade alemã. O diretor pontua conflitos como a religião do Alcorão, a homossexualidade e a emancipação das mulheres muçulmanas.
Já o romeno "If a Want to Whistle, I Whistle", de Florin Seban, está entre os filmes que têm como cenário uma prisão (no caso, um reformatório), com o protagonista privado da liberdade, aos 17 anos, e em conflito familiar. No iraniano "The Hunter", de Rafi Pitts, o público observa a delicada trama entre um ex-presidiário e policiais que o capturam.
"Ghost Writer", de Roman Polanski, porém, parece o favorito. Sua vitória poderia ser um protesto pela detenção do cineasta, que cumpre prisão domiciliar. No filme, um "escritor fantasma" tem a vida ameaçada ao escrever uma "autobiografia" de ex-premiê britânico.
A condição da mulher é tratada em duas obras exibidas no Berlinale Palast. "Na Putu" (Na Trilha), da bósnia Jasmilla Zbanic, mostra casal islâmico à espera de um filho, que pode não ser abençoado por Alá. "Rompecabezas", da argentina Natalia Smirnoff, trata da obsessão de mulher por um quebra-cabeças.
Delicadas relações sustentam enredos na Berlinale
Filmes mostram personagens solitários e famílias em conflito