O medo tem muitas faces. Pode nascer de um rosto desfigurado, de um vírus que aprende a matar de maneiras inesperadas ou da presença de alguém que chega para morar sob o mesmo teto. Nesta quinta-feira, os cinemas apostam no terror em três frentes distintas, mostrando como o gênero se reinventa ao combinar efeitos visuais, tensão física e inquietações psicológicas. São propostas que partem do sobrenatural, da ficção científica e dos conflitos humanos para lembrar que, na tela grande, nem sempre o pior monstro é aquele que conseguimos enxergar.
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Em “Cara-de-Barro”, o universo dos quadrinhos encontra o horror corporal. Com direção de James Watkins, o filme acompanha Matt Hagen, vivido por Tom Rhys Harries, um ator fracassado cuja vida sofre uma transformação radical após uma desfiguração brutal. Na tentativa de recuperar a própria aparência, ele se submete a um experimento científico que altera sua estrutura corporal e o converte numa criatura de argila, capaz de assumir diferentes formas. A premissa abre espaço para explorar os limites entre identidade, aparência e monstruosidade, enquanto a ligação com Gotham City aproxima a narrativa do imaginário do Batman. O filme apresenta antagonista e pode encontrar força no drama de alguém que perde o próprio rosto e, com ele, a referência de quem é. Naomi Ackie e Max Minghella completam o elenco.
Já “Zona Zero” aposta no terror de sobrevivência, no qual o perigo não dá trégua e as certezas desaparecem a cada minuto. Dirigido pelo sul-coreano Yeon Sang-ho, o longa começa com a liberação de um vírus de rápida mutação durante uma conferência de biologia. O confinamento, inicialmente uma tentativa de conter a contaminação, transforma-se numa armadilha quando os infectados passam a evoluir de forma imprevisível. Jun Ji-hyun, Ji Chang-Wook e Koo Kyo-hwan lideram o elenco da trama que combina ação, suspense e horror biológico. A ideia de inimigo em constante transformação potencializa a angústia. No final não basta sobreviver ao ataque, é preciso descobrir qual será a próxima ameaça. O filme também conversa com um medo contemporâneo, no qual a ciência capaz de oferecer respostas pode se tornar a origem do desastre.
Para os amantes de doses fortes de horror, chega aos cinemas “A Caixa do Demônio”, em que o terror se instala em território mais íntimo. Dirigido por Daniel Stamm, o filme acompanha Ellen Hershbergen, uma mulher solitária que, após perder a mãe, muda-se para a pequena vila de Pontiac. Sua tentativa de recomeço é interrompida quando ela acolhe um primo, veterano do Exército marcado por traumas não resolvidos.
A chegada do homem acaba desencadeando acontecimentos estranhos e ameaça a segurança da protagonista. Carla Gugino, Lou Taylor Pucci e Katharine Isabelle integram o elenco de uma história que aproxima o sobrenatural das feridas emocionais e das tensões da convivência. Na obra, o horror depende tanto daquilo que surge no escuro, como também dos segredos e sofrimentos que atravessam a porta de casa.