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Dia da Mulher: 15 livros com protagonistas femininas escritas por mulheres

Confira curadora que vai de clássicos que marcaram gerações a livros contemporâneos que revolucionaram a literatura

Entre os destaques brasileiros da lista, estão "A  Hora da Estrela" e "Olhos D'Água"
Entre os destaques brasileiros da lista, estão "A Hora da Estrela" e "Olhos D'Água" Foto : Montagem / Rocco / Pallas / CP

Quando a falta de visibilidade e reconhecimento da presença feminina no mercado editorial é uma realidade, dar palco para as vozes de mulheres - tanto de escritoras como de suas personagens - se torna essencial para o combate à desigualdade de gênero. Para tanto, neste 8 de março, Dia Internacional da Mulher, o Correio do Povo preparou uma lista com 15 obras literárias escritas e protagonizadas por mulheres. A data, marcada por seu significado político e de resistência, aparece como lembrete de uma batalha por igualdade que segue atual e necessária, especialmente na literatura.

Confira abaixo as lista completa de indicações:

  1. “Mulherzinhas” (1868), de Louisa May Alcott

O livro que inspirou o filme “Adoráveis Mulheres” conta a história das irmãs Meg, Jo, Beth e Amy que passam por um período difícil depois de verem o pai partir para a guerra e de se confrontarem com problemas econômicos inesperados.

  1. “A Redoma de Vidro” (1963), de Sylvia Plath

Esther Greenwood sai do subúrbio de Boston para trabalhar em uma prestigiosa revista de moda em Nova York. Na transição para uma vida cheia de responsabilidades e novos desafios, Esther entra em colapso devido a um quadro depressivo. Como a protagonista, a autora deste livro também foi uma jovem brilhante que viu tudo ao seu redor desmoronar. Sylvia Plath apresenta mais do que um relato sobre uma doença mental: este é também um retrato sobre amadurecimento e força feminina.

  1. “Razão e Sensibilidade” (1811), de Jane Austen

As irmãs Elinor e Marianne representam uma dualidade, de maneira alternada, ao longo da narrativa. As expectativas vividas pelas duas com a perda, o amor e a esperança nos apontam para um panorama da vida das mulheres de sua época. Em uma sociedade rígida, ambas tentam sobreviver às regras e injustiças. Tanto a sensível e sensata Elinor como a romântica e impetuosa Marianne se veem fadadas a aceitar um destino infeliz por não possuírem fortuna nem influências, obrigadas a viver em um mundo dominado por dinheiro e interesse.

  1. “A Vegetariana” (2007), de Han Kang

"… Eu tive um sonho", diz Yeonghye, e desse sonho de sangue e escuros bosques nasce uma recusa vista como radical: deixar de comer, cozinhar e servir carne. “A Vegetariana” conta a história dessa mulher comum que, pela simples decisão de não comer mais carne, transforma uma vida aparentemente sem maiores atrativos em um pesadelo perturbador e transgressivo. Narrado a três vozes, o romance apresenta o distanciamento progressivo da condição humana de uma mulher que decidiu deixar de ser aquilo que marido e família a pressionaram a ser a vida inteira.

  1. “Um defeito de cor” (2006), de Ana Maria Gonçalves

“Um defeito de cor” conta a saga de Kehinde, mulher negra que, aos oito anos, é sequestrada no Reino do Daomé, atual Benin, e trazida para ser escravizada na Ilha de Itaparica, na Bahia. No livro, Kehinde narra em detalhes a sua captura, a vida como escravizada, os seus amores, as desilusões, os sofrimentos, as viagens em busca de um de seus filhos e de sua religiosidade. Além disso, mostra como conseguiu a sua carta de alforria e, na volta para a África, tornou-se uma empresária bem-sucedida, apesar de todos os percalços e aventuras pelos quais passou.

  1. “Tudo é Rio” (2014), de Carla Madeira

Com uma narrativa madura, precisa e ao mesmo tempo delicada e poética, o romance narra a história do casal Dalva e Venâncio, que tem a vida transformada após uma perda trágica, resultado do ciúme doentio do marido, e de Lucy, a prostituta mais depravada e cobiçada da cidade, que entra no caminho deles, formando um triângulo amoroso.

  1. “Olhos d'água” (2014), de Conceição Evaristo

Em “Olhos d’água”, Conceição Evaristo ajusta o foco de seu interesse na população afro-brasileira abordando, sem meias palavras, a pobreza e a violência urbana que a acometem. Sem sentimentalismos, mas sempre incorporando a tessitura poética à ficção, seus contos apresentam uma significativa galeria de mulheres: Ana Davenga, a mendiga Duzu-Querença, Natalina, Luamanda, Cida, a menina Zaíta. Estão presentes mães, muitas mães. E também filhas, avós, amantes, homens e mulheres – todos evocados em seus vínculos e dilemas sociais, sexuais, existenciais, numa pluralidade e vulnerabilidade que constituem a humana condição.

  1. “A Amiga Genial” (2011), de Elena Ferrante

A Série Napolitana, formada por quatro romances, conta a história de duas amigas ao longo de suas vidas. O primeiro, “A amiga genial”, é narrado pela personagem Elena Greco e cobre da infância aos 16 anos. As meninas se conhecem em uma vizinhança pobre de Nápoles, na década de 1950. Elena, a menina mais inteligente da turma, tem sua vida transformada quando a família do sapateiro Cerullo chega ao bairro e Raffaella, uma criança magra, mal comportada e selvagem, se torna o centro das atenções. Essa menina, tão diferente de Elena, exerce uma atração irresistível sobre ela. As duas se unem, competem, brigam, fazem planos. Em um bairro marcado pela violência, pelos gritos e agressões dos adultos e pelo medo constante, as meninas sonham com um futuro melhor.

  1. “A Hora da Estrela” (1977) , de Clarice Lispector

"A Hora da Estrela" narra a trágica e monótona vida de Macabéa, uma migrante nordestina de 19 anos, órfã e ignorante, que vive precariamente no Rio de Janeiro como datilógrafa. O narrador, Rodrigo S.M., expõe a invisibilidade social da protagonista, que morre atropelada por um Mercedes amarelo, encontrando sua "hora da estrela" apenas na morte

  1. “A Casa dos Espíritos” (1982) , de Isabel Allende

“A Casa dos Espíritos” é tanto uma emblemática saga familiar quanto um relato acerca de um período turbulento na história de um país latino-americano indefinido. Isabel Allende constrói um mundo conduzido pelos espíritos e o enche de habitantes expressivos e muito humanos. As paixões, lutas e segredos da família Trueba abrangem três gerações e um século de transformações violentas, que culminaram em uma crise que leva o patriarca e sua amada neta para lados opostos das barricadas

  1. “Guerra da papoula” (2018), de R. F. Kuang

A guerra está no coração do Império Nikara, e o ópio corre em suas veias. A paz reina, mas há boatos de que a Terceira Guerra da Papoula pode estourar a qualquer momento, e a academia militar mais prestigiada do Império prepara seus estudantes para o combate: filhos da elite e, inesperadamente, uma órfã de guerra. Obrigada a se casar com um homem asqueroso, a jovem Rin fez de tudo para reescrever o próprio destino. Estudou para o exame imperial por pura teimosia e, quando conseguiu uma vaga na academia, acreditou estar salva. Quando o conflito com o país vizinho eclode, Rin entende que, para ganhar a guerra, talvez tenha que perder sua humanidade.

  1. “Trono de Vidro” (2012), de Sarah J. Mass

A magia há muito abandonou Adarlan. Um perverso rei governa, punindo impiedosamente as minorias rebeldes. Mas tudo pode mudar quando uma assassina é chamada para o castelo. Em “Trono de vidro”, livro que dá início à série bestseller, Celaena tem uma perigosa missão que pode lhe garantir sua tão sonhada liberdade ou ser a sua sentença de morte. Aos 18 anos, uma prisioneira está cumprindo sua sentença. Ela é uma assassina, a melhor de Adarlan, e está quase perdendo as esperanças, a sentença de morte é iminente, mas a jovem recebe uma proposta inesperada: representar o príncipe em uma competição, lutando contra os mais habilidosos assassinos e larápios do reino.

  1. “Persépolis” (2000), de Marjane Satrapi

Marjane Satrapi era apenas uma criança quando a revolução islâmica derrubou o xá do Irã, em 1979. Bisneta do antigo rei da Pérsia, ela cresceu em uma família de esquerda, moderna e ocidentalizada, e estudou numa escola francesa e laica. Com a chegada dos extremistas ao poder, as meninas foram obrigadas a usar o véu na escola e a estudar em classes separadas dos meninos. Era só o início de uma série de mudanças profundas em sua vida - assim como na de todos em seu país.

  1. “Americanah” (2013), de Chimamanda Ngozi Adichie

Lagos, anos 1990. Enquanto Ifemelu e Obinze vivem o idílio do primeiro amor, a Nigéria enfrenta tempos sombrios sob um governo militar. Em busca de alternativas às universidades nacionais, paralisadas por sucessivas greves, a jovem Ifemelu muda-se para os Estados Unidos. Ao mesmo tempo que se destaca no meio acadêmico, ela depara pela primeira vez com a questão racial e com as agruras da vida de imigrante, mulher e negra. Quinze anos mais tarde, Ifemelu é uma blogueira aclamada nos Estados Unidos, mas o tempo e o sucesso não atenuaram o apego à sua terra natal, tampouco anularam sua ligação com Obinze. Quando ela volta à Nigéria, encontra um cenário muito diferente do que deixou.

  1. “Quarto de Despejo” (1960), de Carolina Maria de Jesus

Esse é o retrato do cotidiano triste e cruel de uma mulher que sobrevive como catadora de papel e faz de tudo para espantar a fome e criar seus filhos na favela do Canindé - SP. Do diário de Carolina Maria de Jesus surgiu este autêntico exemplo de literatura-verdade. Em meio a um ambiente de extrema pobreza e desigualdade de classe, de gênero e de raça, depara-se com o duro dia a dia de quem não tem amanhã, mas que ainda sim resiste diante da miséria, da violência e da fome. E percebemos com tristeza que, mesmo tendo sido escrito na década de 1950, este livro jamais perdeu sua atualidade.

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