Arte & Agenda

Dia de celebrar as mulheres

Atividades no Instituto Zoravia Bettiol, no Clube do Professor Gaúcho e na Bamboletras são opções deste sábado

Mais do que celebrar o Dia Internacional da Mulher, todos precisamos reconhecer o avanço dos espaço e da visibilidade das mulheres em todas as artes, sejam elas brancas, negras, imigrantes ou de povos originários. A escritora angolana Djaimilia Ribeiro de Almeida define muito bem o que é ser mulher e ser uma escritora negra nos dias de hoje.

“Ser uma escritora negra hoje, de acordo comigo, uma mulher deste tempo, é escrever contra esse fato, carregando-o às costas, sem deixar que ele me tolha. É fazer, a cada página, por abraçar e merecer a alegria cósmica, arbitrária, de ter nascido quem sou só agora”.

A cantora, compositora, instrumentista e poeta negra Pâmela Amaro também referenda o que faz e destaca que mulheres como ela e outras artistas negras que vieram antes fazer a história ser mudada a cada dia. “A composição é para mim um ato de expressar pensamento e sentimento, por isso, é uma forma de poder em que exercito ser sujeito da minha própria história. Assim vejo o caminho de outras muitas mulheres que tomam as rédeas da sua vida e encontram em alguma arte e habilidade sua, uma forma de contarem sua história e as dos seus”, aponta, acrescentando:

“Cantar, escrever, compor, dançar, atuar, dirigir, produzir, quando feitos por uma mulher, são grandes exercícios de liberdade. Percebo que, nestes tempos, podemos mais do que nos tempos de antigamente. Vejo espaços e mercados que se abrem com muita luta, mas que se abrem, e assim, desejo que sigamos firmes com nossos propósitos múltiplos. Um salve às mulheres, seres de imenso poder e dignas de todo respeito”.

Eventos com a temática do Dia da Mulher reúnem artistas para celebrar a data. Um deles é o sarau de mulheres poetas que celebra a data no Instituto Zoravia Bettiol. Neste sábado, o sarau ocorre nos jardins do Instituto (Paradiso Biacchi, 109 - Ipanema), em Porto Alegre. As integrantes do Coletivo Poemas à Flor da Pele, além de convidadas, participarão da atividade, das 17h às 19h30min, com entrada gratuita. O coletivo atua há cerca de 20 anos na Capital. Entre os nomes no sarau estão as escritoras e poetas Liana Timm, Cátia Simon, Manuela Dipp, Lilian Rocha e Maria Alice Bragança. A organização do evento, "Acolhendo a Poesia no Dia Internacional da Mulher", que também contará com música, é da produtora cultural Betania Maria Rodrigues Gonçalves, integrante da diretoria do Instituto.

Inspirado no clássico “Dom Casmurro”, de Machado de Assis, a apresentação teatral “Confesso que Capitu” será realizada às 17h no Salão Thereza Noronha no Clube do Professor Gaúcho, dentro da programação especial promovida pelo clube para celebrar o Dia Internacional da Mulher. A atuação é da atriz Elisa Lucas, que revive o feminino machadiano com atualidade e poesia no espetáculo dirigido por Roberto Birindelli. A entrada é franca para mulheres sócias do Clube. Para a comunidade em geral, os ingressos serão vendidos a preços populares. No clube, haverá feira de artesanato e moda e food trucks.

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Na sequência da 6ª edição do Festival Literário Rastros do Verão, que homenageia o legado de João Gilberto Noll e difunde a produção literária local, as escritoras vão comandar a atividade hoje, a partir das 16h, na Bamboletras (Venâncio Aires, 113 - Cidade Baixa). A atividade de hoje abre às 16h com leituras da escritora Gabriela Leal. Ela é autora de “A Língua da Medusa”, vencedor Prêmios Açorianos (2023) e Minuano (2024). Gabriela será a mediadora do bate-papo com as escritoras Camila Maccari e Clara Corleone, às 16h30min.

Camila lançou recentemente o livro “Infinita” (Autêntica Contemporânea) que trata assim como o filme “Substância”, com Demi Moore, do tema da expectativa das pessoas sobre os corpos femininos. A personagem mulher entra em reflexões sobre o seu corpo gordo, a partir da sua queda em uma cadeira. A escrita de Camila é avassaladora, com ritmo intenso e conflitos internos expostos de forma pungente e lírica. Clara lançou no ano passado o romance “Rosa & Violeta” (L&PM) que trata de duas irmãs muitos diferentes cujo único ponto de conexão é o pai, que acaba morrendo. Quando Violeta morre, Rosa acaba se desnorteando e conhece um delegado de polícia honesto em um interrogatório na Delegacia, que a confronta e ao mesmo tempo a acalanta. Clara tem uma escrita bastante técnica, verdadeira e que fala de sentimentos e do luto de uma forma verossímil e profunda.

Tanto Clara quanto Camila foram agraciadas com o Prêmio Jacarandá do Correio do Povo, respectivamente em 2021 e 2023. Por falar em agraciado com o Jacarandá, o autor Jeferson Tenório conversa com os leitores, às 18h, com mediação de Fernando Ramos.

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