Arte & Agenda

Dingo Bells encara a vida moderna em disco de estreia

Trio gaúcho apresenta o trabalho inédito nesta quarta-feira em duas sessões na Capital

Rodrigo, Felipe e Diogo estão juntos há 12 anos
Rodrigo, Felipe e Diogo estão juntos há 12 anos Foto : Rodrigo Marroni / Divulgação / CP
“Eu vim passear”. A primeira música do disco de estreia do trio gaúcho Dingo Bells, vista sob um olhar subliminar, reflete a tranquilidade com que os porto-alegrenses conceberam “Maravilhas da Vida Moderna”. Mesmo não sendo a primeira criação do grupo - o trabalho inaugural veio ao mundo em 2010, em um EP homônimo – o álbum chega com os dois pés na porta de 2015 com doses perceptíveis de serenidade e segurança, talvez adquiridas com o amadurecimento da espera.

Sem receio de afirmar que “Maravilhas...” não é um disco de rock gaúcho, o grupo traz uma sonoridade beirando o pop, com alguns toques de melancolia, ora denunciada pelas letras, ora pelos arranjos. Rodrigo Fischmann (voz, bateria e percussão), Diogo Brochmann (voz, guitarra e teclado) e Felipe Kautz (voz e baixo) conseguem que versos como “não tenha medo, largue o emprego” soe com delicadeza, sem as rusgas de um disco permeado por anseios. Não que “Maravilhas...” fique longe de temas atuais e não incite a uma reflexão, justamente, da vida moderna, mas é que o disco acaba trilhando esse caminho pelas onze faixas de maneira leve e um tanto despretensiosa.

Leveza que pode ser justificada em todo o conceito defendido pelos integrantes desde a concepção do álbum. Após diversas turnês — que envolveram abertura para Ringo Starr em Porto Alegre e viagem ao Japão para representar o RS no Brasil Day —, o grupo se isolou no início de 2014 em um sítio em Viamão para lapidar letras e arranjos de “Maravilhas...”. A partir desse momento íntimo, foram se formando os alicerces que construiriam o disco, sustentado por uma identidade visual muito bem arquitetada. A audição do álbum, realizada no final de março na Capital, recepcionou alguns convidados - não à toa – com uma exposição em um ateliê, local onde as composições começaram. “Temos uma grande relação com a arte, já fizemos shows lado a lado com esculturas, painéis, sempre gostamos de explorar a dimensão visual nos nossos trabalhos”, conta Felipe Kautz.

Envolto por um encarte com tamanho de 24x24, o formato físico revela essa aproximação. O CD vem com quatro opções de capas que podem ser manuseadas, trocadas, e até mesmo penduradas na parede como pequenos quadros. A ideia é não competir com a dinâmica do mercado digital, pelo contrário, tornar a relação com o produto final mais prazerosa para quem o adquire. “Já que disponibilizamos o disco para download gratuito, pensamos em elaborar algo que as pessoas quisessem ter, pudessem interagir, para que cada um expresse sua própria interpretação do material”, complementa Felipe. 

Com participações especiais de Felipe Zacanaro (Apanhador Só), Ricardo Fischmann (Selton) e Tomás Oliveira (Mustache & Os Apaches), o trabalho tem produção de Marcelo Fruet — que traz na bagagem o álbum de estreia do Apanhador Só, de 2010 — e apoio financeiro do público por meio de crowdfunding. O resultado dessa reunião de talentos poderá ser conferido ao vivo nesta quarta-feira, no Teatro Renascença (Érico Veríssimo, 307), na Capital. O primeiro show da turnê, que depois desembarca em São Paulo, dia 6 de junho, terá duas sessões, com uma já esgotada. Os ingressos ainda podem ser adquiridos para o horário das 22h na Urban Arts (Quintino Bocaiúva, 715) ou na Lancheria do Parque (Osvaldo Aranha, 1086) no valor de R$ 30.

Ouça as 11 faixas do disco:

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