Entre o sagrado e o profano, o cantor Diogo Nogueira apresenta “Sagrado, Vol. 2”, projeto de estúdio que segue o álbum “Sagrado, Vol. 1”, lançado no final de 2023. Nesta segunda parte, lançada no dia 5 de junho, o amor é protagonista nas sete faixas e conta, inclusive, com a participação especial de Sandra Sá. O nono álbum de inéditas do sambista carioca trata a união entre antagônicos (sagrado e o profano) e o amor em suas diversas formas.
A construção do álbum começou muito antes do lançamento. Diogo Nogueira mergulhou de cabeça numa pesquisa durante dois anos para escolher o repertório, avaliar o que gostaria de fazer e qual seria o formato, já que o “Sagrado Vol. 1” não foi um produto audiovisual. No total, entre os dois volumes de “Sagrado”, 16 faixas foram escolhidas e, em comum acordo, a equipe decidiu por lançar em duas etapas, sendo o primeiro voltado para memórias da infância e valores que Diogo considera inegociáveis em sua vida, e o segundo falando do amor romântico por alguém ou pela cidade, tendo como plano de fundo o Rio de Janeiro, onde nasceu.
Para o volume dois, sete faixas foram escolhidas. Em “Já Deu Tudo Certo”, a canção abre o trabalho falando sobre a luta pela sobrevivência do dia a dia, sobre a alegria de quem dribla os perrengues e precisa acreditar que da labuta vai vir o retorno esperado. Em “Ninguém Segura O Nosso Amor” a produção é pensada para dançar com companhia, envolve o amor romântico feliz e sem rodeios. Para a faixa, foram rememorados os sambas de gafieira cariocas.
Já em “Coisas do Amor (Me Chama)”, de autoria de Diogo, o encontro com Sandra de Sá é um presente para quem gosta de samba de raiz. “É uma música que eu escrevi numa época que eu estava ouvindo muito Tim Maia. Pensei na melodia e no tipo de letra, de escrita muito direcionada ao que ele fazia com as canções autorais dele. Quando essa música ficou pronta, o primeiro nome que sempre vinha à cabeça era o da Sandra. Tem o timbre maravilhoso dela, um swing incrível, um swing preto, que lembra muito o que o Tim Maia fazia. A única voz que me tocava era a dela, então não tive dúvidas. Convidei ela, que é uma grande amiga da família e sempre foi amiga do meu pai durante anos”, disse o sambista.
O álbum segue com “Iluminou” que, de uma forma mais moderna, retrata o amor como caminho de renovação da vida. “Como Eu Seria Sem Você”, de Thiago da Serrinha, honra a cidade do Rio de Janeiro cerzido pelos bairros de Madureira, Ipanema, Leblon e Mangueira. Na avaliação de Diogo, era o que ele buscava para o álbum: trazer a chama do amor para lembrar que as coisas boas acontecem na vida real e não somente nas telas de cinema. “Queria falar do cara apaixonado, não só entre homem e mulher, mas das coisas do subúrbio, que o Rio de Janeiro no proporciona. Dos lugares onde você pode namorar, tomar cerveja e petiscar com os amigos. Tudo isso está englobado. É tudo sagrado”.
“Tela Quente” e “Quem Dera”, coroam o álbum com o amor que deve ser vivido por quem acredita na fielmente que a vida deve ser boa e aprende a curtir as sinuosidades que o sentimento causa nos corações.
Um dos corações apaixonados é o do próprio Diogo Nogueira, que vive um relacionamento com Paolla Oliveira desde 2021 e não nega a influência do momento que vivia com a atriz na construção do álbum e composição das músicas. “Nessa parte romântica eu pensei muito na Paolla também, porque foi no início do namoro. Ela tem uma influência no álbum todo, na verdade, porque foi o momento que eu estava vivendo. Ela tem uma força energética muito grande que inspira.”
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Em 2025, quando o consumo de música acaba sendo de maneira efêmera, com o auxílio de aplicativos de música, lançar um álbum ao invés de um single pode ser desafiador. No entanto, é com confiança que o cantor de 44 anos afirma que o seu público ainda valoriza o “porquê das coisas”, como ler uma sinopse e, neste caso, ouvir um álbum por completo. Salienta ainda que, por se tratar de um público em sua maioria acima dos 35 anos, há similaridade em vivências como as brincadeiras na rua, jogos com bola de gude e correr atrás de pipa.
Diogo é categórico ao dizer que gosta de fazer aquilo que gosta, mas sem deixar de lado o que pretende gerar de impacto no público geral. “Trago para o trabalho muito daquilo que eu tenho prazer e que me deixa feliz. Não eu não sigo muito muitas regras relacionadas ao que está no mercado ou que não está. Eu faço aquilo que eu amo e quem quiser que compre. E o pessoal tem comprado”, afirma.
Além disso, o álbum “SAGRADO Vol. 2” traz ao fã de samba a possibilidade de ouvir acordes tradicionais do ritmo, como o violão de sete cordas, com som mais denso e complexo. A tradição se une ao moderno, já que a produção reúne instrumentos que já não estão sendo utilizados atualmente, mas que marcam o ritmo tradicional do samba, sendo tocados de maneira mais atual. E, claro, com o timbre inconfundível de Diogo Nogueira, que torna sagrada a memória das origens: “quando se perde a origem, principalmente no samba, se perde tudo. E aí não é o samba”.
Filho do cantor e compositor João Nogueira, um dos maiores nomes do samba, falecido há 25 anos, Diogo Nogueira vê o trabalho como uma oportunidade de tocar o coração os fãs com a leveza e alegria que busca trazer para a vida, renovando a esperança e desejo por dias melhores. “A gente vem aqui, como cantor, só para passar as mensagens. E essas mensagens precisam ser boas, positivas. Eu acredito nisso”, finaliza.
Ouça o álbum completo:
* Supervisão de Luiz G. Lopes