Arte & Agenda

Diones Camargo lança o livro "A Mulher Arrastada"

A partir do espetáculo de sucesso, dramaturgo e roteirista mescla ficção à história real, ocorrida há sete anos no Rio de Janeiro 

Peça-manifesto gaúcha resgata a figura trágica de Cláudia para reivindicar o que durante a cobertura jornalística do caso foi aos poucos sendo apagado: seu nome, elemento  que foi substituído pela cruel alcunha de “mulher arrastada”.
Peça-manifesto gaúcha resgata a figura trágica de Cláudia para reivindicar o que durante a cobertura jornalística do caso foi aos poucos sendo apagado: seu nome, elemento que foi substituído pela cruel alcunha de “mulher arrastada”. Foto :

Inspirado no espetáculo  gaúcho "A Mulher Arrastada", ganhador dos Prêmios Açorianos e Braskem em Cena 2018, que participou de festivais como o Porto Alegre em Cena, Crítica em Movimento e Palco Giratório Sesc, em que percorreu 28 cidades de dez estados brasileiros em 2019, o livro homônimo de Diones Camargo tem lançamento nesta quinta, 2 de setembro, pela editora Cobogó. O autor participa de uma live, às 19h, no Youtube da Livraria da Travessa, com a presença da atriz Celina Alcântara, que protagonizou a peça e da dramaturga Camila Bauer. O encontro será mediado pelo jornalista e crítica teatral Valmir Santos. 

"A mulher arrastada", do dramaturgo e roteirista Diones Camargo, foi escrita a partir da trágica história real, que ocorreu no Rio de Janeiro em 2014. Cláudia Silva Ferreira — mulher negra, pobre, 38 anos, auxiliar de limpeza em um hospital, mãe de quatro filhos biológicos e quatro adotivos — foi brutalmente alvejada pela Polícia Militar quando saía de casa no Morro da Congonha, para comprar pão para sua família. Após os tiros, seu corpo foi atirado num camburão, tendo ficado parte dele para fora da viatura. A mulher foi então arrastada, ainda com vida, sob o olhar horrorizado de pedestres e motoristas.

Entrelaçando o caso verídico e uma narrativa ficcional, esta premiada peça-manifesto resgata a figura trágica de Cláudia e a transporta ao centro da cena para reivindicar o que durante a cobertura jornalística do caso foi aos poucos sendo apagado: seu nome, elemento  que foi substituído pela cruel alcunha de “mulher arrastada”. A peça conquistou mais de dez prêmios – incluindo quatro de Melhor Espetáculo –  desde sua estreia, há três anos, vem participando de importantes mostras no Brasil e no exterior. “A mulher arrastada coloca em cena o que não é visto, nem ouvido, mas está aqui. É dramaturgia com poder de síntese e capacidade poética instaurada. É preciso ler e reler", afirma Diones.

Diones Camargo é dramaturgo e roteirista. Licenciado em Teatro pela Ufrgs, é autor de cerca de vinte peças, muitas delas premiadas. Com textos encenados por algumas das mais importantes companhias de teatro do RS, teve obras também publicadas e representadas no exterior (Portugal, Espanha, Cuba, Uruguai, Chile e Cingapura) Paralelamente às atividades de escrita, o autor ministra oficinas e participa de projetos de pesquisa em dramaturgia e sua relação com as multilinguagens. Coordena o Grupo de Estudos em Dramaturgia de Porto Alegre, coletivo que investiga a relação da literatura e com outras linguagens como o teatro, o cinema, a performance e as artes visuais. É roteirista de diversos longas, como A colmeia (2019), baseado em sua peça homônima e que recebeu o Prêmio de Melhor Longa-Metragem Estrangeiro no 24º Festival de Zaragoza, na Espanha. É corroteirista do curta O último dia antes de Zanzibar (2016), de Filipe Matzembacher e Márcio Reolon.

 

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