A entrega do troféu Oscarito para a atriz Dira Paes, na noite desta sexta-feira, encerrou o ciclo de homenagens do 45° Festival de Cinema de Gramado. Com 33 anos de carreira, a atriz paraense destacou que o prêmio é uma espécie de mola motora para uma nova etapa na vida profissional. “Receber o Oscarito é uma profunda honra e, ao mesmo tempo, surge certa timidez. O elenco que compõe os honrados pelo prêmio é formado por notáveis que fazem eu me sentir tímida diante da grandeza do que representam para mim. São figuras muito ilustres da história do cinema brasileira. Muitos dos vencedores do Oscarito são ídolos, muitos eu trabalhei e algumas são minhas amigas”, relembrou.
O troféu é entregue desde 1990 para atores e atrizes do cinema brasileiro e, nos últimos anos, esteve nas mãos de Fernanda Montenegro, Betty Faria, Glória Pires, Flávio Migliaccio, Marília Pêra e Sonia Braga. “Eu estava aqui quando o Grande Otelo (1990) recebeu o primeiro Oscarito. Me senti muito privilegiada de estar naquela plateia. Nunca pude imaginar que hoje estaria aqui falando sobre esse prêmio, sobre essa honraria”, afirmou a atriz.
Para Dira, a homenagem possibilita com que reviva a sua própria história. “Eu vi que realmente o tempo passou. Eu comecei muito cedo e eu estou aqui falando sobre o que eu mais amo, sobre o que formou minha personalidade. Minha sensação é que eu estou aqui homenageando com minha história o cinema brasileiro. Por que eu sou o cinema brasileiro. Eu me sinto intrinsicamente ligada”, disse.
Sobre os novos desafios da carreira, Dira citou que vai participar do lançamento da animação brasileira "Lino", em que ela faz dublagens de personagem infantil. “Eu faço a voz da Janine e o Selton Mello faz o Lino. Estou feliz por fazer um trabalho para as crianças. Também tenho projeto de filmes que serão lançados. Vou filmar no segundo semestre”, antecipou.
Na cerimônia da noite, a atriz Araci Esteves entrou no palco vestida da personagem "Anahy de las Misiones", filme pelo qual Dira Paes ganhou o Kikito de melhor atriz coadjuvante em 1997, e chamou a homenageada ao palco. Após receber o troféu e fazer seu agradecimento, Dira pediu que o ministro da Cultura e o presidente Temer discutam com a classe artística as políticas do setor audiovisual.
Carreira
Dira circula com desenvoltura da comédia ao drama. O trabalho da atriz ajudou a descortinar problemas sociais do norte e nordeste brasileiros que ainda hoje são ignorados, como exploração sexual infantil, coronelismo (“Baixio das Bestas”, 2006) e as brutas relações sociais nas periferias das capitais (“Amarelo Manga”, 2002). Rodou também “Dois Filhos de Francisco” (2005), o longa que retrata a infância dos ídolos da música sertaneja pop Zezé di Camargo e Luciano e foi campeão de bilheteria. Também revisitou mitos do cangaço como em “Corisco & Dadá” (1996), no qual desempenha o papel da protagonista feminina e o folclore carnavalesco na Salvador contemporânea em “Ó, Pai, ó” (2007).
Ela atuou também em produções que retratam a história e a cultura do interior do Rio Grande do Sul, como “Anahy de las Misiones” (1997) ou “Noite de São João” (2003), e integrou o elenco de obras de corte urbano sulino, caso de “Meu Tio Matou um Cara” (2004). “O cinema me levou para o mundo e fez com que eu conhecesse e compreendesse um Brasil gigante e plural”, celebra a homenageada.
Dira Paes recebe o troféu Oscarito em Gramado
Para a atriz, homenagem ajuda a reviver sua própria história