O diretor-executivo da Netflix, Ted Sarandos, declarou nesta terça-feira (16), em Paris, que a empresa continuará distribuindo os filmes da Warner Bros nos cinemas caso sua oferta de aquisição seja bem-sucedida. A afirmação busca tranquilizar a indústria cinematográfica após anos de tensão entre o modelo de streaming e as salas tradicionais.
"Continuaremos administrando os estúdios Warner Bros de forma independente e lançando os filmes de maneira tradicional nos cinemas", afirmou Sarandos durante um evento na capital francesa. O executivo admitiu que seus comentários anteriores sobre a distribuição em salas — nos quais sugeria que a experiência do cinema estava ultrapassada pela conveniência do streaming — acabaram confundindo o público e o mercado.
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Disputa bilionária
A entrevista ocorreu no contexto de uma das maiores movimentações da história do entretenimento. No início deste mês, a Netflix anunciou um acordo com a Warner Bros Discovery (WBD) para adquirir a maior parte do grupo por 83 bilhões de dólares (cerca de 450 bilhões de reais). A concretização do negócio, porém, ainda depende do crivo rigoroso de órgãos reguladores, que podem ver a fusão como uma ameaça à concorrência.
Além do desafio regulatório, a Netflix enfrenta uma concorrência agressiva pela posse do estúdio centenário. O grupo Paramount Skydance apresentou uma contraoferta avaliada em 108,4 bilhões de dólares (588 bilhões de reais), superando significativamente o valor oferecido pela plataforma de streaming.
A estratégia da Netflix de manter os lançamentos em salas de cinema pode ser vista como uma tentativa de valorizar a marca Warner e garantir receitas de bilheteria que ajudariam a custear a dívida bilionária da aquisição. Atualmente, a Warner Bros detém franquias valiosas como o Universo DC, Harry Potter e os clássicos da HBO, cuja distribuição híbrida entre cinema e plataforma digital é um ponto central na disputa.