Arte & Agenda

Diretor de grupo português fala da estreia no Porto Alegre em Cena

"Cão que morre não ladra" poderá ser conferido entre amanhã e sexta no Teatro do Sesc

Espetáculo é umas das atrações do 19º Porto Alegre em Cena
Espetáculo é umas das atrações do 19º Porto Alegre em Cena Foto : Filipe Damaso Saraiva / Divulgação / CP
O 19º Porto Alegre em Cena, que começa nesta terça-feira, terá a partir de amanhã a apresentação de uma das grandes atrações internacionais. O espetáculo da Companhia do Chapitô “Cão que morre não ladra” será apresentado até sexta, às 19h, no Teatro do Sesc (rua Alberto Bins, 665). Para amanhã, os ingressos estão esgotados. Ainda restam bilhetes para as apresentações de quinta e sexta, que podem ser adquiridos no site www.ingressorapido.com.br, na Usina do Gasômetro (João Goulart, 551) e no local. Sob direção do inglês John Mowat, a companhia de Lisboa retorna ao festival após 11 anos. Na 8ª edição, em 2011, apresentou “Leonardo”.

O espetáculo atual é uma comédia visual de humor negro, que fala de uma família com um problema sério, que tem uma maneira própria e especial de lidar com a perda de um ser amado. Uma família despedaçada e partida ao meio pela tragédia, mas finalmente reunida. A morte não é o fim, mas uma forma de reunir a família. Criada em 1996, a Chapitô prima pelo teatro do gesto e pela comédia visual. Em Lisboa, o grupo tem diversos trabalhos de formação e de inclusão social, além de sedes onde a arte impera todo o dia, como é o caso da sede localizada na Costa do Castelo.

O diretor John Mowat concedeu uma entrevista ao Correio do Povo falando sobre o espetáculo, os projetos da companhia, o teatro brasileiro e novos espetáculos em produção.

Correio do Povo – A companhia é conhecida por primar pela comédia visual e teatro do gesto, teatro físico. Quais as principais referências teóricas do grupo?
John Mowat – Nós somos uma companhia que faz a comédia visual. Não temos um sistema, fazemos as nossas produções por improvisação e pelo jogo, virando coisas as coisas do avesso e de pernas para o ar.

CP – Como foi a concepção, o processo de “Cão que morre não ladra”?
Mowat – A peça foi produzida pela improvisação e pelo jogo, na própria atuação. Não houve nenhuma ideia preconcebida antes de que começássemos a trabalhar. Só tínhamos a ideia de trabalhar com o tema da morte.

CP – Quais são as mais recentes produções da companhia?.
Mowat – A nossa mais recente produção é Édipo, de Sófocles, baseado no mito grego. Estamos também trabalhando no momento atual em “Macbeth”, baseado no texto de William Shakespeare. É claro que nós vamos transformar ambas de tragédias em comédias.

CP – A Chapitô já esteve algumas vezes no Brasil e uma vez no Porto Alegre em Cena, em 2001, com “Leonardo”. O que você conhece do teatro brasileiro e há algum intercâmbio com grupos daqui?
Mowat – Não vi muito teatro brasileiro, mas dirigi um espetáculo com uma atriz brasileira, a brilhante Andrea Padilha chamado “The Cover Girl”. É uma comédia sobre uma mulher que vive a sua vida pelas revistas. Também estive no final de agosto ministrando uma oficina para a companhia Stravaganza, aí de Porto Alegre. Eles estão fazendo um trabalho muito interessante neste grupo.

CP – Como é a experiência de trabalhar numa companhia tão utópica e múltipla como a Chapitô?
Mowat – A primeira vez que trabalhei com a Companhia do Chapitô foi em uma peça para a Expo 98 em Lisboa. Desde então criei (com a companhia) e dirigi todos os espetáculos do grupo, já foram 14 até agora. Trabalho com uma equipe muito boa de atores e produtores e porque trabalhamos com a mesma gente por muitos anos, somos capazes de desenvolver o nosso trabalho de forma contínua, com novas descobertas a cada dia e uma investigação constante.

Cão que morre não ladra

Apresentações
: 5 a 7 de setembro, às 19h, no Teatro do Sesc (Alberto Bins, 665)
Ficha técnica:
Direção - John Mowat
Criação - Coletiva
Elenco - Jorge Cruz, Marta Cerqueira e Tiago Viegas
Assistente de Direção - Katrina Brown
Gravação e Edição Áudio - Tiago Cerqueira
Cenografia - Kevin Plum
Produção - Tânia Melo Rodrigues
Tradução de textos - Carole Garton
Iluminação - Luís Moreira e Paulo Cunha
Duração - 60min
Recomendação Etária - 12 anos

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