O espetáculo atual é uma comédia visual de humor negro, que fala de uma família com um problema sério, que tem uma maneira própria e especial de lidar com a perda de um ser amado. Uma família despedaçada e partida ao meio pela tragédia, mas finalmente reunida. A morte não é o fim, mas uma forma de reunir a família. Criada em 1996, a Chapitô prima pelo teatro do gesto e pela comédia visual. Em Lisboa, o grupo tem diversos trabalhos de formação e de inclusão social, além de sedes onde a arte impera todo o dia, como é o caso da sede localizada na Costa do Castelo.
O diretor John Mowat concedeu uma entrevista ao Correio do Povo falando sobre o espetáculo, os projetos da companhia, o teatro brasileiro e novos espetáculos em produção.
Correio do Povo – A companhia é conhecida por primar pela comédia visual e teatro do gesto, teatro físico. Quais as principais referências teóricas do grupo?
John Mowat – Nós somos uma companhia que faz a comédia visual. Não temos um sistema, fazemos as nossas produções por improvisação e pelo jogo, virando coisas as coisas do avesso e de pernas para o ar.
CP – Como foi a concepção, o processo de “Cão que morre não ladra”?
Mowat – A peça foi produzida pela improvisação e pelo jogo, na própria atuação. Não houve nenhuma ideia preconcebida antes de que começássemos a trabalhar. Só tínhamos a ideia de trabalhar com o tema da morte.
CP – Quais são as mais recentes produções da companhia?.
Mowat – A nossa mais recente produção é Édipo, de Sófocles, baseado no mito grego. Estamos também trabalhando no momento atual em “Macbeth”, baseado no texto de William Shakespeare. É claro que nós vamos transformar ambas de tragédias em comédias.
CP – A Chapitô já esteve algumas vezes no Brasil e uma vez no Porto Alegre em Cena, em 2001, com “Leonardo”. O que você conhece do teatro brasileiro e há algum intercâmbio com grupos daqui?
Mowat – Não vi muito teatro brasileiro, mas dirigi um espetáculo com uma atriz brasileira, a brilhante Andrea Padilha chamado “The Cover Girl”. É uma comédia sobre uma mulher que vive a sua vida pelas revistas. Também estive no final de agosto ministrando uma oficina para a companhia Stravaganza, aí de Porto Alegre. Eles estão fazendo um trabalho muito interessante neste grupo.
CP – Como é a experiência de trabalhar numa companhia tão utópica e múltipla como a Chapitô?
Mowat – A primeira vez que trabalhei com a Companhia do Chapitô foi em uma peça para a Expo 98 em Lisboa. Desde então criei (com a companhia) e dirigi todos os espetáculos do grupo, já foram 14 até agora. Trabalho com uma equipe muito boa de atores e produtores e porque trabalhamos com a mesma gente por muitos anos, somos capazes de desenvolver o nosso trabalho de forma contínua, com novas descobertas a cada dia e uma investigação constante.
Cão que morre não ladra
Apresentações: 5 a 7 de setembro, às 19h, no Teatro do Sesc (Alberto Bins, 665)
Ficha técnica:
Direção - John Mowat
Criação - Coletiva
Elenco - Jorge Cruz, Marta Cerqueira e Tiago Viegas
Assistente de Direção - Katrina Brown
Gravação e Edição Áudio - Tiago Cerqueira
Cenografia - Kevin Plum
Produção - Tânia Melo Rodrigues
Tradução de textos - Carole Garton
Iluminação - Luís Moreira e Paulo Cunha
Duração - 60min
Recomendação Etária - 12 anos