Arte & Agenda

Diretor francês Jean Rouch ganha mostra especial na Capital

Seleção de 36 filmes será exibida no Cine Santander Cultural em abril

Elenco de ``Jaguar´´, filme no qual o diretor francês estreitou a relação entre ficção e realidade
Elenco de ``Jaguar´´, filme no qual o diretor francês estreitou a relação entre ficção e realidade Foto : Santander Cultural/Divulgação
Um dos mais produtivos e influentes diretores da segunda metade do século XX, Jean Rouch (1917-2004) ganhará mostra especial, a partir do próximo dia 6 de abril, no Cine Santander Cultural (rua Sete de Setembro, 1028). Será exibida uma seleção de 36 filmes, entre longas, curtas e médias. Muitos dos títulos escolhidos são inéditos no país. Toda a programação terá entrada franca.

A mostra tem curadoria do filósofo e ensaísta de cinema Mateus Araújo Silva, brasileiro, e do antropólogo Andrea Paganini, italiano, ambos radicados em Paris. Araújo estará presente na abertura para uma sessão comentada, às 19h. No dia seguinte, falará em francês, na sessão de "Le Rendes-Vou Cinéma", também às 19h. A mostra já circulou por São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Brasília, dentro das comemorações do Ano da França no Brasil, celebrado no ano passado.

Rouch é tido como uma das principais referências do grupo de intelectuais e cineastas que daria corpo à Nouvelle Vague e como um dos ícones do cinema documentário moderno. Inovou técnica, ética e esteticamente. Foi um dos maiores entusiastas do cinema direto, um dos marcos da renovação da linguagem cinematográfica no início dos anos de 1960. Jean-Luc Godard afirmaria, por exemplo, que não havia filme mais "espetacular" que "Eu, um Negro" ("Moi, un Noir", de 1958), de Rouch, por sua capacidade de absorver o acaso e se posicionar entre realidade e ficção.

Engenheiro de formação, titulado doutor em Etnologia pela Sorbonne em 1953, Rouch filmou em pelo menos uma dezena de países, primordialmente no continente africano - onde esteve na Costa do Marfim, Níger, Mali, Gana, Burkina Fasso e Benin. O cineasta foi um entusiasta da fabulação e da elevação dos personagens retratados ao primeiro plano, como sujeitos e não objetos do discurso fílmico. Na sua visão, o desejo de investigação do filme etnográfico - em seu esforço de aliar a arte da exposição cinematográfica ao rigor da enquete científica oferece um ponto de convergência determinante no encontro entre a subjetividade do criador e a objetividade do pesquisador - ou, de outro modo, entre arte e ciência.

Dentre os filmes da mostra poderão ser conferidos "Os Tambores de Outrora"; "Os Mestres Loucos"; "Jaguar"; "Eu, um Negro"; "A Pirâmide Humana" e "Crônica de um Verão" (coautoria com Edgar Morin). Em "Jaguar (1954), Rouch estreitou a fronteira entre realidade e ficção, sobre a cultura e as tradições dos habitantes do Níger. Já "Eu, um Negro", ele mostra a afirmação de um ser humano em seu estado histórico-social sob um mundo violentado por um sistema político-colonizador. A programação poderá ser conferida no roteiro de cinema do jornal ou no site do Santander www.santandercultural.com.br.

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