Neste sábado, dia 1º de abril, às 16h30min, o Centro Histórico Cultural da Santa Casa (Avenida Independência, 75), em parceria com a Aliança Francesa, recebe Marie-Monique Robin em Porto Alegre para o lançamento do seu último filme, “A fábrica de pandemias”, uma produção que conta com a atriz Juliette Binoche como porta voz e ponte entre os cientistas e cidadãos envolvidos na realização do documentário.
Após a projeção, acontece um bate-papo entre a diretora francesa Marie-Monique Robin e a convidada Ana Luíza Azevedo, cineasta gaúcha, com tradução simultânea e aberto ao público. Gratuito.
A fábrica de pandemias
Em seu novo filme “A fábrica de pandemias”, Marie-Monique reúne 62 cientistas do mundo todo que chegaram à conclusão de que as pandemias atuais (como de Ebola, AIDS, Zika, Chikungunya e SARS) são provocadas diretamente pela atividade humana de destruição da biodiversidade.
De acordo com a investigação de Robin, o desmatamento contribui para a emergência de novas doenças infecciosas porque animais portadores desses patógenos são forçados a se deslocar e se aproximar de fazendas industriais e regiões onde vivem humanos. Estes animais também viajam o mundo todo como consequência da globalização e importações, carregando o vírus consigo para ambientes novos. Os cientistas são categóricos: a atividade predatória humana causará nos próximos anos uma epidemia de pandemias que culminará em um confinamento crônico.
Além disso, o documentário alerta sobre os riscos do afastamento do ser humano de ambientes rurais biodiversos, onde o convívio com animais e plantas durante os dois primeiros anos de vida aumenta a exposição a agentes patógenos e micróbios que protegem a flora intestinal e fortalecem o sistema imunológico.
Juliette Binoche
A atriz Juliette Binoche, que era presidente de um júri de documentários sobre o Meio Ambiente, demonstrou interesse no assunto e se tornou a ponte entre os cientistas e os cidadãos que participaram na produção do documentário, que também teve apoio da UNESCO e diversas instituições científicas, além de financiamento participativo.
Para a realizadora Marie-Monique Robin, é essencial discutir medidas de médio e longo prazo para evitar próximas pandemias, como por exemplo, impedir a importação de soja, óleo de palma e gado do Brasil ou Argentina, que contribuem para o desmatamento e degradação da biodiversidade que nos protege contra novas doenças infecciosa.
Marie-Monique Robin
Marie-Monique Robin já recebeu diversos prêmios e condecorações pela contribuição social de seus curtas e longas-metragens, como “Cuba si, Cuba no” (1990), “Ladrões de Órgãos” (1993), “Totura: made in USA” (2011), nos quais faz denúncias sobre a tortura nos EUA, as ditaduras na América do Sul, os percalços da luta contra a pedofilia, tráfico de órgãos e as práticas nocivas da multinacional Monsanto, líder mundial em transgênicos e agrotóxicos. Entre 40 obras audiovisuais e cerca de 15 livros publicados, a jornalista tem mais de 30 anos dedicados a investigar e denunciar injustiças sociais e ameaças ao equilíbrio ecológico do planeta.