Ao ser perguntado sobre Milton Nascimento, Djavan sai do usual cuidado com as palavras, quando fala, e se utiliza de termos grandiosos: “Bituca é uma coisa do outro mundo. Ele é improvável na sua originalidade”, afirma. “Talvez nem ele saiba como foi importante na minha formação, o período em que eu estava ouvindo toda a música do mundo e ele me causou um arrebatamento enorme.”
Também “improvável em sua originalidade” de compositor e cantor, o alagoano passou a vida encontrando Milton furtivamente por aí. Outra característica comum aos dois, a timidez, contudo, nunca os aproximou para além da amizade e do carinho de colegas. Nos últimos tempos, pessoas próximas de Djavan, sem saber uma das outras começaram a questionar, a razão de nunca terem feito nada juntos.
Quando começou a pensar no que seria o álbum “D” (Luanda Records/Sony Music), Djavan finalmente teve a convicção de que era o momento de fazer algo com Milton. E compôs uma melodia para que os dois cantassem juntos. Calcada numa sequência harmônica descoberta em seu violão, a melodia é de Djavan, mas bem que poderia, pela originalidade, também ser de Milton. Para a letra, pensou em escrever algo que também falasse pelos dois: a natureza, ou melhor da preservação da natureza sempre ameaçada de destruição, dos indígenas e povos da floresta.
“Beleza destruída” é uma das canções mais importantes da obra de Djavan, com todas as características de uma grande canção e mais o fato de unir finalmente Djavan e Milton Nascimento no estúdio. Este é o segundo single e também o segundo clipe do álbum “D”, o 25º da carreira de Djavan. A canção e o clipe, realizado por Giovanni Bianco, diretor artístico do projeto, saem juntos nas plataformas digitais nesta quinta-feira, 21 de julho, a partir das 21h.