Toda quinta-feira é um pequeno teste para medir a vitalidade do cinema. Basta observar a programação das salas para perceber que a experiência cinematográfica continua muito maior do que qualquer fórmula. As estreias desta quinta-feira comprovam isso. Em cartaz, convivem terror psicológico, dramas familiares, documentários sobre memória do cinema brasileiro, reflexões sobre identidade e um concerto de uma banda sul-coreana. É um mosaico que reafirma a capacidade da sétima arte de falar com públicos completamente diferentes sem abrir mão da inquietação.
Entre os destaques está “Insaciável”, novo trabalho da diretora Natalie Erika James. Depois de chamar atenção pelo horror intimista, a cineasta volta a utilizar o gênero para explorar a angústia profundamente contemporânea da relação doentia com o próprio corpo. Acompanha uma estudante de medicina consumida por essa obsessão. O filme transforma ansiedade, pressão estética e distorção da autoimagem em matéria-prima para um terror que nasce menos dos monstros e mais das inseguranças humanas.
Trabalhando com questões existenciais, o filme “Yunan” tem estreia exclusiva na Sala Norberto Lubisco da Casa de Cultura Mario Quintana. A produção do diretor sírio Ameer Fakher Eldin tem Georges Khabbaz, Hanna Schygulla, Ali Suliman no elenco. Munir (Khabaz) é um escritor que vem questionando seus sentimentos em relação ao trabalho e vida pessoal. Num auto-exílio, ele resolve viajar até a ilha de Yunan em busca de respostas para suas inquietações. No convívio com Valeska (Schygulla), uma senhora misteriosa, e seu filho, Munir reaprende a observar o lado simples da vida, a se emocionar com gestos de bondade e com o senso de pertencimento.
Em outra direção, “Champagne: Uma Viagem de Pai e Filho”, de Tim Kamps, aposta na delicadeza. Inspirado em experiências pessoais do roteirista e protagonista Leo Alkemade, o longa transforma uma despedida inevitável em uma jornada sobre afeto, memória e reconciliação.
A produção nacional também ocupa espaços importantes além da ficção. “Os Ruminantes” recupera a tentativa frustrada de adaptar “A Hora dos Ruminantes”, dirigido por Tarsila Araújo e Marcelo Mello, projeto de Luiz Sérgio Person e Jean-Claude Bernardet, interrompido durante a ditadura militar. Ao reunir documentos, arquivos e depoimentos, o documentário não apenas resgata uma obra que nunca existiu plenamente, mas evidencia quantos filmes foram silenciados pela censura e pelos contextos políticos. É um exercício de memória indispensável.
E por fim, para o público amante da música sul-coreana, do K Pop, a produção "ATEEZ: Light the Way in Cinemas" leva às telonas o show conceitual do grupo sul-coreano, em que os integrantes atravessam uma cidade em ruínas atrás dos Atiny, como são chamados seus fãs. Gravada em 8K e com som surround, a produção traz ainda 20 minutos de bastidores inéditos e performances dos hits "Inception", "Bouncy (K-Hot Chilli Peppers)" e "Ice On My Teeth".