A peça retrara a violência que Luis Antonio sofreu na infância, a rejeição da família por sua estranheza, e o seu exílio e morte em Bilbao, na Espanha, onde era famoso por suas performances em casas noturnas. Em maio, o espetáculo cumprirá temporada no Rio Grande do Sul, dentro do projeto Palco Giratório do Sesc.
Baskerville construiu a narrativa como um documentário cênico, costurado a partir de depoimentos familiares, cartas, documentos e criações do elenco durante os ensaios. Ele conta que a ideia da peça começou a partir do momento que sua irmã chegou em casa e disse: "Temos um irmão morto no mundo e a gente não poderá enterrá-lo", lembra.
Começou então a busca por esse irmão, que nenhum familiar tinha ouvido falar durante 30 anos, resultando em uma verdadeira arqueologia viva. "O levantamento biográfico levou o tempo de uma gestação - nove meses. Fazer esse espetáculo foi uma dívida que os Baskerville tinham com o meu irmão, por tê-lo rejeitado e tratado como uma ferida no meio familiar", enfatiza.
A peça alterna momentos pesados e densos com situações leves, construídos a partir da própria personalidade do personagem. Marcos Felipe conta que teve a responsabilidade de inserir a correspondência de Luis Antonio dentro do texto. Teve ainda o desafio de mostrar em seu corpo as modificações que o travesti sofreu durante a vida. "Em cena, não há um vilão ou mocinho, mas sim uma pessoa errando, acertando e revendo seu passado", comenta.