Para resgatar as narrativas que traduzem sua mística, foi criado o documentário “Araújo Vianna: Todas Histórias”. Trata-se de uma compilação de depoimentos prestados por 40 dos expoentes da cultura gaúcha que colecionam bons causos vividos dentro do auditório. Nomes como Frank Jorge, Nei Lisboa, Lobão, Júpiter Apple e Humberto Gessinger já compartilharam memórias e, agora, o convite para este resgate é estendido a todos. Isso mesmo, se você quiser dividir lembranças e participar da construção da memória coletiva do Araújo Vianna, poderá agregar sua colaboração no araujovianna.com.br. A prévia do material já está disponível no site e o documentário será lançado na íntegra em 16 de novembro. A partir daí, novas histórias serão contadas e o personagem principal pode ser você.
Lucas Mello, diretor executivo da LiveAD, agência co-idealizadora do projeto, conta que a trajetória do Auditório nunca havia sido contada e, com sua reforma em andamento, ela corria risco de cair no esquecimento. Segundo ele, o formato colaborativo foi uma escolha natural, já que a memória coletiva pode ser muito mais rica do que a individual.
Depois de um levantamento dos eventos marcantes e ícones de cada época, começou a coleta de depoimentos. Sobre as histórias, Mello antecipa: “O Júpiter Maçã explica como adotou esse nome, influenciado por uma noite dormindo na cobertura do Araújo Vianna; Lobão lembra do show que fez em um dia de temporal; muitos reviveram o show de João Gilberto... São vários pontos de vista sobre uma mesma história, a do auditório”.
Era uma vez uma concha acústica
O músico Hique Gomez, da dupla Tangos e Tragédias, também deixou sua marca no documentário. Conversamos com o pai do personagem Kraunus Sang sobre suas experiências no palco em questão e seu relato foi quase poético, lembrando o tempo em que, a céu aberto, o Araújo Vianna era verdadeiramente uma concha acústica (antes da colocação de sua cobertura, nos anos 90). “Era uma espécie de observatório astronômico. Entre a lua e as estrelas, a gente via o show. Comecei a participar dos espetáculos coletivos com o grupo de jazz experimental Argumento Sonoro.”
Culturalmente, Porto Alegre é uma Capital efervescente. E o Araújo Vianna sempre foi um espaço nobre para isso. “Nos anos 70, estávamos inseridos em um contexto real de responsabilidade artística. O espírito produtivo segue o mesmo e seria fantástico se o povo que está produzindo hoje tivesse um espaço daquele calibre”, afirma Gomez. Sobre o futuro do Araújo, ele é categórico na exigência: “Espero, sinceramente, que tenha uma excelente acústica”. Ele quer também testemunhar grandes eventos: “Desejo que exista a temperança entre o fomento da arte local e a busca de espetáculos de fora que tragam experiências de crescimento para quem vê”. Sobre o mosaico que será montado em “Araújo Vianna: Todas Histórias”, Hique tem alta expectativa: “Que o documentário represente o que o espaço representa para a produção cultural da cidade”.
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