Arte & Agenda

Documentário celebra as memórias do Auditório Araújo Vianna

Cultura gaúcha se mistura com história do espaço cultural que será reformado até 2012

Documentário celebra as memórias do Auditório Araújo Vianna
Documentário celebra as memórias do Auditório Araújo Vianna Foto : Carla Ruas / CP Memória
As lembranças do último meio século da cultura gaúcha não podem ser contadas sem a presença de um grande protagonista: o Auditório Araújo Vianna. Cravado no coração do Bom Fim desde 12 de abril de 1964, o espaço recebeu eventos antológicos e ajudou a colocar Porto Alegre no mapa da arte brasileira. Fechado desde 2005, ele é sinônimo de polêmica em torno de seu abandono e também de muita nostalgia. Atualmente, está em reforma e a previsão de sua reabertura é abril de 2012.

Para resgatar as narrativas que traduzem sua mística, foi criado o documentário “Araújo Vianna: Todas Histórias”. Trata-se de uma compilação de depoimentos prestados por 40 dos expoentes da cultura gaúcha que colecionam bons causos vividos dentro do auditório. Nomes como Frank Jorge, Nei Lisboa, Lobão, Júpiter Apple e Humberto Gessinger já compartilharam memórias e, agora, o convite para este resgate é estendido a todos. Isso mesmo, se você quiser dividir lembranças e participar da construção da memória coletiva do Araújo Vianna, poderá agregar sua colaboração no araujovianna.com.br. A prévia do material já está disponível no site e o documentário será lançado na íntegra em 16 de novembro. A partir daí, novas histórias serão contadas e o personagem principal pode ser você.

Lucas Mello, diretor executivo da LiveAD, agência co-idealizadora do projeto, conta que a trajetória do Auditório nunca havia sido contada e, com sua reforma em andamento, ela corria risco de cair no esquecimento. Segundo ele, o formato colaborativo foi uma escolha natural, já que a memória coletiva pode ser muito mais rica do que a individual.
Depois de um levantamento dos eventos marcantes e ícones de cada época, começou a coleta de depoimentos. Sobre as histórias, Mello antecipa: “O Júpiter Maçã explica como adotou esse nome, influenciado por uma noite dormindo na cobertura do Araújo Vianna; Lobão lembra do show que fez em um dia de temporal; muitos reviveram o show de João Gilberto... São vários pontos de vista sobre uma mesma história, a do auditório”.

Era uma vez uma concha acústica

O músico Hique Gomez, da dupla Tangos e Tragédias, também deixou sua marca no documentário. Conversamos com o pai do personagem Kraunus Sang sobre suas experiências no palco em questão e seu relato foi quase poético, lembrando o tempo em que, a céu aberto, o Araújo Vianna era verdadeiramente uma concha acústica (antes da colocação de sua cobertura, nos anos 90). “Era uma espécie de observatório astronômico. Entre a lua e as estrelas, a gente via o show. Comecei a participar dos espetáculos coletivos com o grupo de jazz experimental Argumento Sonoro.”

Culturalmente, Porto Alegre é uma Capital efervescente. E o Araújo Vianna sempre foi um espaço nobre para isso. “Nos anos 70, estávamos inseridos em um contexto real de responsabilidade artística. O espírito produtivo segue o mesmo e seria fantástico se o povo que está produzindo hoje tivesse um espaço daquele calibre”, afirma Gomez. Sobre o futuro do Araújo, ele é categórico na exigência: “Espero, sinceramente, que tenha uma excelente acústica”. Ele quer também testemunhar grandes eventos: “Desejo que exista a temperança entre o fomento da arte local e a busca de espetáculos de fora que tragam experiências de crescimento para quem vê”. Sobre o mosaico que será montado em “Araújo Vianna: Todas Histórias”, Hique tem alta expectativa: “Que o documentário represente o que o espaço representa para a produção cultural da cidade”.

Leia mais no It's Mais desta quarta-feira, no Correio do Povo.

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