O documentário, com direção de Belisário Franco, está inscrito na disputa pelo Oscar. A produção mostra as investigações do historiador Sidney Aguilar sobre tijolos marcados com a suástica encontrados no interior do Brasil. Em 1988, ele dava aulas sobre o nazismo para uma turma de ensino médio quando uma aluna mencionou que havia centenas dos objetos estampados com o símbolo na fazendo de sua família. A partir de uma pesquisa, o professor descobriu a história de meninos órfãos e negros, vítimas de um projeto criminoso de eugenia realizado por nazistas brasileiros.
O filme revela que um grupo orquestrara a remoção de 50 meninos de um orfanato no Rio de Janeiro, prometendo-lhes uma vida melhor. Mas a realidade se revelou muito mais dura: seu destino era a escravidão e o isolamento na Fazenda Cruzeiro do Sul, propriedade de poderosa família da elite local. Aloísio Silva, um dos sobreviventes, lembra a terrível experiência que escravizou os meninos ao ponto de privá-los do uso de seus nomes, transformando-o no “23”. Sua trajetória reforça ainda mais como os conceitos de “supremacia branca” e as tentativas de “branqueamento da população” marcaram o corpo social não só da Alemanha hitleriana como também do Brasil.
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