A São Silvestre é a corrida de rua mais famosa e tradicional do nosso continente. Há 88 anos, São Paulo está acostumada a acompanhar esses milhares de corredores corajosos que atravessam o Centro da cidade no dia 31 de dezembro. São Paulo não saberia deixar para trás o ano velho e correr para o ano novo de outra forma: a São Silvestre acelera ainda mais o ritmo do seu coração.
Nascida na cidade, Lina Chamie vem percorrendo a sua geografia emocional em todos os filmes que dirigiu, usando para isso a música e a dura poesia das ruas, dos edifícios e da vida veloz de seus habitantes. Cada filme de Lina - de “Tônica Dominante” (2000) ao mais recente, “Os Amigos” (2013) - é uma homenagem à cidade que ela ama. “São Silvestre”, um documentário feito de sensações sonoras e visuais, é o coroamento dessa carreira voltada para um estranho amor a uma cidade à primeira vista assustadora. Correndo com os corredores, mas olhando para os lados, atenta à paisagem concreta de São Paulo, a câmera de São Silvestre consegue traduzir, na base do som e da poesia muda das imagens, o que significa percorrer os 15 quilômetros que separam os homens e as mulheres do grande clímax que é a chegada.
São, na verdade, 17 câmeras, distribuídas nos pontos mais improváveis - nas cabeças, nos braços e pernas dos atletas, mas também em traquitanas inventadas para deslizar pelo tema. E há uma câmera voltada para o rosto do ator Fernando Alves Pinto, que fez o percurso em uma hora e 40 minutos - um verdadeiro recorde para quem foi obrigado a carregar uma engenhoca de mais ou menos 5 kg. O filme mostra, portanto, a multiplicidade de emoções em movimento ao longo da trajetória.
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