Harrison, assim como Ringo, nunca desfrutou da idolatria gerada por Paul McCartney e John Lennon. Ao reconstituir seus passos, o cineasta renova o fascínio por alguém que ignorou a posteridade."Não me importo se eu não for lembrado", disse certa vez, conforme relatou Olivia Harrison ao New York Times. Ela foi casada com o britânico entre 1978 e 2001, ano da morte dele.
Olivia, também produtora do filme, foi quem procurou Scorsese para assumir a empreitada. O principal argumento para sensibilizá-lo foi uma afetuosa carta escrita por George para a mãe dele quando tinha um pouco mais de 20 anos. "Ele expressava a ideia de que sabia que a vida não se limitava à riqueza e à fama", afirmou o diretor também ao NYT. O foco aqui está nos depoimentos de quem conviveu com o músico como Paul, Yoko Ono, Terry Gilliam, Ringo, Jackie Stewart, Eric Idle e George Martin.
O produtor Phil Spector, por exemplo, descreve o "tormento" de gravar algumas faixas de "All Things Must Pass", primeiro álbum solo de Harrison pós-Beatles, por conta da obsessão harmônica do guitarrista em suas composições. Eric Clapton fala abertamente do caso em que ele roubou a primeira esposa do amigo, Patti Boyd - a famosa história por trás do hit Layla. Paul admite em um dos trechos de sua entrevista que a relação de trabalho com o companheiro nem sempre foi das mais equilibradas. O filme, aliás, mostra uma destas discussões no estúdio.
Há um vasto material audiovisual, que inclui vídeos caseiros, fotografias, gravações de áudio e cartas. Num dos arquivos exibidos, há um pitoresco prenúncio do fim. "Acordei, fui para Twickenham, pratiquei até a hora do almoço - deixei os Beatles - fui para a casa, e à tarde fiz King of Fuh no estúdio Trident, depois comi umas batatinhas", escreveu em seu diário em 1969. No ano seguinte, após as conturbadas gravações de Let it Be, a banda encerrou as atividades.As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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