Na manhã desta segunda feira, jornalistas debateram com os responsáveis por um dos filmes concorrentes, em longa metragem, do CineCeará, em Fortaleza. Muito aplaudido na noite desse domingo, o documentário "Menino 23", de Belisario Franca, emocionou o público presente no Cine Teatro São Luiz.
"No Brasil não é simples fazer documentário", contou Franca. Para ele, a TV a cabo tem trazido novas possibilidades no entanto, somada às tecnologias disponíveis. "Menino 23" nasceu do trabalho do historiador Sidney Aguilar, que de um tijolo fez uma tese de doutorado. Uma aluna lhe trouxe um tijolo com a suástica (símbolo nazista) incrustada e, com ele, Aguilar construiu uma investigação sobre os rastros do Nazismo no interior paulista.
Com a tese, Franca fez um documentário e deu voz e imagem para as palavras escritas e a investigação de Aguilar. O historiador foi enfático: "O que vocês viram na tela eu assino embaixo. Ali tem verdade".
Na tela está a história da pesquisa, com leveza e recursos audiovisuais sedutores, que a transformam em deleite narrativo e estético, que pode fazer esquecer de sua origem na rigidez científica e acadêmica. O que prevalece, segundo os realizadores, são as verdades dos testemunhos dos sobreviventes daquele momento em que crianças negras foram levadas de um orfanato para a fazenda de simpatizante nazista, em São Paulo.
É do mesmo diretor também os documentários "Além Mar", "Música do Brasil", "Danças Brasileiras", "Sete Vezes Bossa Nova" e "Imortais" (seu trabalho atual, sobre as cadeiras da Academia Brasileira de Letras). A produtora Giros, da qual ele faz parte, é responsável também pelo filme "O Homem Só", de Claudia Jouvin, que esteve no Festival de Gramado ano passado. O CineCeará segue até a próxima quarta feira, com a noite de entrega dos troféus Mucuripe.
Documentário sobre Nazismo emociona no CineCeará
"Menino 23" é do diretor Belisario Franca