É em grande estilo que a Casa Trama (Avenida Pernambuco, 1212), novo ponto de cultura em Porto Alegre, faz sua inauguração nesta sexta-feira, dia 9. No palco, a cantora, compositora e multi-instrumentalista Dora Morelenbaum e mostra toda a potência romântica de seu álbum “Pique”. Os ingressos estão disponíveis aqui. Esse será seu primeiro show na cidade com uma banda completa. Sobre o show neste sábado, Dora se diz “super animada”. Ela já esteve em Porto Alegre outras vezes, para shows no Agulha (bar e casa de shows que deixou de existir depois das enchentes de maio).
No sábado, dia 10, ela participa de bate-papo e pequeno show, com entrada gratuita, na Rádio Agulha (Cristóvão Colombo 545), a partir das 15h, com a exposição de “Vídeo-Impressão” do videoclipe “A Melhor Saída”, de Maria Cau Levy e Caio Mazzilli, concebida a partir de frames do clipe, com experimentos analógicos, em que cada frame do material digital foi impresso em risografia, na busca do efeito vintage. A cantora não poupou elogios ao projeto: “A gente precisa justamente de espaços assim que apoiem não só o momento do show, mas que sejam espaços físicos que as pessoas se encontrem, falem sobre e vivam isso de outra forma, também”.
Dora está no radar de muitos que acompanham a música brasileira contemporânea, ela é integrante do grupo Bala Desejo, ao lado de Lucas Nunes, Julia Mestre e Zé Ibarra — que venceram o Grammy Latino de Melhor Álbum de Pop Contemporâneo em Língua Portuguesa em 2022 com o disco “Sim Sim Sim”. Agora ela se aventura em uma produção solo, com o álbum “Pique”, lançado em outubro de 2024, a obra é ao mesmo tempo íntima e expansiva, refletindo uma evolução artística e pessoal.
Nascida no Rio de Janeiro, Dora cresceu em um ambiente profundamente musical — filha do violoncelista e arranjador Jaques Morelenbaum e da cantora Paula Morelenbaum, dois nomes fundamentais da música nacional. Desde cedo, esteve cercada por sons, estúdios e referências que ajudaram a moldar sua sensibilidade artística.
Em entrevista ao Correio do Povo, ela conta que se propôs a brincar com a estrutura da canção - principalmente das românticas. Em “Pique” o que se ouve encanta pelos arranjos sofisticados que ambientam o tom das letras, que seguem a temática do amor, o tempo, as transformações da vida e os afetos.
Para ela a faísca veio “da sonoridade e a partir dessa matéria-prima que são as canções, ao criar novas texturas e novos novas ambiências para aquilo que a gente já conhece de alguma forma, por mais que seja músicas novas foi justamente o que a gente chegou depois”, comenta. Foi somente após os arranjos estarem prontos que ela percebeu a semelhança nas letras e o tema em comum que todas carregam. “No final quando já estava mais estruturada, o que seria e que referencia a gente tinha de sonoridade para aquilo, que eu percebi que eram músicas todas de amor e cada uma, por serem de letristas diferentes, cada um com um ponto de vista um pouco diferente, e eu acabei gostando disso também, porque é isso, a gente pegou essa estrutura cultural conhecida das canções e deu uma cara diferente para ela”, explica.
O Projeto teve diversos colaboradores, incluindo o grupo Bala Desejo, entre eles a co-produtora Ana Frango Elétrico, parceira de longa data de Dora, que define a união como uma complementaridade das musicalidades. “Eu acho que a Ana justamente tem muito um olhar também para esses outros parâmetros que eu talvez tivesse menos. Eu fui criada nesse universo da MPB e que não tinha tanto esse refinamento para outras coisas E quando conheci Ana eu falei ‘Caraca, existe tudo isso’. A Ana trabalha muito com sinestesia, então eu acho que ela consegue misturar cor, com textura, com timbre e isso se reflete mesmo na paisagem que se constrói”, comenta.
As composições de Tom Veloso aparecem muitas vezes durante as faixas de “Pique”, sua mão está presente do início ao fim do álbum, com as músicas: “Não Vou Te Esquecer”, “A Melhor Saída”, “Petricor”, “Pique”, “Talvez (As Canções)” e “Nem te procurar”. Segundo Dora, diversas músicas escritas pelos dois estavam na gaveta esperando o momento certo para serem lançadas aos ouvidos do público. “Tom é tão bom compositor quanto letrista, ele tem uma sensibilidade e um olhar muito dele, principalmente quando se trata de canções de amor, ele tem todo um jeito singelo de tratar sobre isso”, diz ela sobre o trabalho do companheiro.