Arte & Agenda

Dos muros para a Fundação lberê

Museu inaugura neste sábado a exposição 'Reconstrução', do artista paulista Daniel Melim

Obra 'Ser' é uma das que integra a mostra de Daniel Melim, que abre nesse sábado e segue até 31 de outubro, na Fundação lberê
Obra 'Ser' é uma das que integra a mostra de Daniel Melim, que abre nesse sábado e segue até 31 de outubro, na Fundação lberê Foto : SYLVIA SANCHEZ / DIVULGAÇÃO / CP

Neste sábado, a Fundação Iberê (Padre Cacique, 2000) inaugura a exposição "Reconstrução", do artista Daniel Melim, com curadoria de Miguel Chaia e cocuradoria de Baixo Ribeiro e Laura Rago. A mostra ficará aberta até o dia 31 de outubro e apresentará 12 trabalhos de sua mais recente produção, com influências diversas: a Arte de Rua, a Pop Art, os HQ's e o cinema. As obras da exposição serão, em sua maioria, de grande formato. Para Melim, isso cria uma relação com a arte de rua e a dimensão do espaço público. Uma das obras foi feita especialmente para a mostra, que vai contar, ainda, com uma peça feita em aço "como se fosse um estêncil recortado em aço com uma projeção de luz", compartilha o artista.

Daniel é conhecido por seu uso do estêncil, "um molde vazado, normalmente recortado em papel, que se aplica o spray de tinta por cima e a imagem fica na parede", explica ele. Suas pinturas remetem ao urbano, com equilíbrio entre a composição milimétrica de figuras e a poluição da cidade, que fica explícita com respingos e tinia corrida.

O artista aponta que "o estêncil acaba tendo uma linguagem que tem uma relação muito próxima com a Pop Arte". Esse estilo, que surgiu na década de 1950, na Inglaterra, visa à reprodução de temas relacionados ao consumo e a publicidade, mas Daniel vai além, se preocupando em desconstruir a propaganda, escrachando a sociedade do espetáculo. "Essa forma de se apropriar de imagens tem um pouco dessa ironia, de usar essa imagem que quase tem esse formato de clichê", diz ele. Daniel é uma referência quando falamos de arte de rua. Em 2011, foi res­ponsável por um dos maiores murais do mundo, que ocupa uma das laterais de um prédio próximo à Pinacoteca de São Paulo. Além da arte de rua, suas pinturas já foi apresentada em galerias e museus no Brasil, Alemanha, França, Suíça, Espanha, Inglaterra e Austrália.

A jornada que o levou dos muros para os museus começa na sua adolescência. Melim nasceu em São Bernardo do Campo, São Paulo, região conhecida por ser um Polo Industrial. Ele conta que, em meados dos anos 1990, começou a frequentar uma pista de skate. "A pista era muito antiga, clássica, toda pintada, decorada com grafite. Tinha dias que eu ia para pista de skate te e nem andava, ficava parado olhando, tentando entender o que era aquilo, como eu poderia fazer", ele comenta.

Essa arte, que divide opiniões, tem suas origens em Nova York, nos anos 70, com o surgimento do movimento Hip Hop. Ao chegar no Brasil, em São Paulo, encontra um país em um contexto de censura da ditadura militar, e surge no cenário nacional como uma arte transgressora. Para Daniel "o grafite ajuda as pessoas a enxergarem a cidade, por que às vezes, em uma parede que estava tão desgastada, que ninguém dava tanta atenção, ali aparece alguma obra, algum desenho. Isso começa a aguçar a percepção das pessoas, e a fazer com que você leia a cidade de uma outra forma".

* Sob a supervisão do editor Luiz Gonzaga Lopes

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