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Dragões de livros para os cinemas

No embalo do filme que tem conquistado um importante público em todas telas, vale a pena conhecer a obra que originou o filme

A nova edição  ilustrada de "Como  treinar o seu dragão", o primeiro livro da  celebrada série infantojuvenil dá mais intensidade ao filme
A nova edição ilustrada de "Como treinar o seu dragão", o primeiro livro da celebrada série infantojuvenil dá mais intensidade ao filme Foto : Universal Pictures / Divulgação / CP

Da vergonha à glória: o herói viking mais desajeitado da literatura infantil, que já levou milhões de pessoas ao cinema, está de volta — com dentes a menos e coragem em construção, também disponível em livro. Soluço Spantosicus Strondus III não começou como herói. Começou como piada. Um viking franzino, com nome de chefe de guerra e aparência de quem mal aguentava levantar um machado de madeira. Mas se você acha que essa é apenas mais uma história de superação, pense de novo: é um épico hilário de dragões banguelas, trapalhadas colossais e um garoto que aprendeu a ser bravo... mesmo que aos berros.

Já está disponível nas livrarias a nova edição ilustrada de “Como treinar o seu dragão”, o primeiro livro da celebrada série infantojuvenil escrita por Cressida Cowell — sim, a mente brilhante por trás do fenômeno que conquistou o mundo (e virou franquia de cinema premiada). Se você acha que já conhece essa história, prepare-se para redescobri-la no seu formato mais puro: direto do papel, com ilustrações cheias de movimento, humor e escamas.

Publicado originariamente em 2003, o livro conta como Soluço, herdeiro relutante do chefe da Tribo dos Hooligans Cabeludos, vê sua vida virar de cabeça para baixo ao tentar cumprir o ritual viking mais temido entre os garotos: capturar e treinar um dragão selvagem. Acontece que, em vez de um monstro feroz, Soluço encontra… um dragão minúsculo, esquelético e com um defeito notável: ele não tem dentes. Daí o nome que passaria à história: Banguela.

Se isso parece um fracasso, é porque é mesmo — até que Soluço começa a ouvir, observar e, principalmente, entender os dragões. Em vez de gritos, escolhe a escuta. Em vez da força bruta, aposta na astúcia. E, ao fazer isso, sem querer, descobre que o verdadeiro poder de um líder não está no tamanho da espada, mas na coragem de fazer diferente. E convenhamos, no mundo em que vivemos, essa é uma lição que ainda precisa ser aprendida por muitos gigantes de ego e coração minúsculo.

Cowell escreve com uma leveza rara. Sua narrativa não subestima a inteligência das crianças e tampouco suaviza o medo, a insegurança ou o sentimento de inadequação que ronda toda infância. Pelo contrário, “ela abraça o caos e o transforma em risada”. É impossível não se encantar com os planos mirabolantes criados pela mente de Soluço, com as várias confusões da tribo mais desastrada da história da literatura e com os nomes absurdamente criativos — de dragões a vikings. Você vai conhecer personagens como Bocão Bonarroto, Perna-de-peixe e Melequento. Elementos que conquistam os leitores.

Livro "Como Treinar o Seu Dragão" | Foto: Reprodução / CP

Diferenças

Mais do que uma aventura recheada de ação e escamas, “Como treinar o seu dragão” é uma carta de amor à diferença. Soluço é o herói improvável que todos fomos um dia: cheio de dúvidas, tentativas frustradas e pequenos atos de bravura. E o mais bonito? Ele vence sem deixar de ser quem é.

Para leitores entre 8 e 88 anos, este livro é um lembrete sagaz de que os mais fracos podem ser os mais sábios, que os menores podem esconder os maiores segredos, e que às vezes o dragão mais assustador... está só com dor de dente. A obra tem muitos elementos.

Prepare-se para gargalhar, se emocionar e, quem sabe, sair dessa leitura um pouco mais viking. Ou, no mínimo, um pouco mais encantador — de dragões e de corações.

E estão à disposição também outras obras na mesma linha, complementando a série que segue “Como treinar o seu dragão”. Destaque para “Como combater a fúria de um dragão”, “Como falar dragonês” e “Como ser um pirata”. Todas as obras foram criadas pela mente fértil de Cressida Cowell, escritora criada entre Londres e uma ilhazinha pouco habitada a oeste da Escócia. Sem telefone nem televisão, Cressida criou suas histórias.

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