Dirigido pelo francês Benoit Jacquot, o filme conta a história das agitadas últimas horas no Palácio de Versalhes do ponto de vista dos servos. A co-produção franco-hispânica é uma das 18 obras concorrendo ao prêmio principal do Urso de Ouro no festival alemão, que tem um viés político este ano.
O diretor do festival, Dieter Kosslick, disse que escolheu o filme para a abertura em parte pelo paralelo que constrói com as atuais revoluções, incluindo a Primavera Árabe e o movimento "Occupy" contra a má distribuição de renda.
"Faz um ano que Hosni Mubarak (líder egípcio) foi tirado do poder e eu desconfio que as últimas 48 horas que outros ditadores tiveram não tenham sido muito diferentes daquelas de Maria Antonieta", comentou.
Filmado em Versalhes, ao sul de Paris, a obra é uma adaptação do premiado romance homônimo de Chatal Thomas. Jacquot afirmou que Daiane, que fala francês com um sotaque alemão sutil ao longo da história, foi a escolha mais óbvia para dar vida à condenada monarca nascida na Áustria. "Eu queria uma estrangeira e Diane tinha raízes similares às da rainha, assim como ela, é loura e tem quase a mesma idade, por volta de 35 anos", analisou. Mas, acima de tudo, a atriz tinha "um desejo tão ardente pelo papel que foi irresistível para mim."
O Urso de Ouro do ano passado ficou com o drama familiar iraniano "A Separação", de Asghar Farhadi, que também levou os prêmios de atuação e este ano foi indicado para dois Oscars. Farhadi integra o júri deste ano, liderado pelo diretor inglês Mike Leigh e que inclui atores como Jake Gyllenhaal, Charlotte Gainsbourg e Barbara Sukowa, além do fotógrafo Anton Corbijn, o diretor Francois Ozon e o autor Boualem Sansal.