Até esta quarta-feira, dia 1° de novembro, dramas e comédias ganham espaços importantes da 47ª edição da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Entre as muitas produções, nas várias telas da Mostra, filmes de diversos países têm disputado público na capital paulista. Uma das novidades que tem agradado às plateias é o vencedor dos Prêmios de Melhor Atriz e Especial do Júri, no Festival do Rio de Janeiro, “O Dia Que te Conheci”. Trata-se do novo filme dirigido por André Novais Oliveira, o mesmo de “Ela Volta na Quinta” e “Temporada”, teve sua primeira exibição no último sábado, mas ganhou novamente as telas em outras exibições da Mostra.
Produção da Filmes de Plástico e coprodução do Canal Brasil, o longa tem como protagonista Zeca, vivido por Renato Novaes, morador de Belo Horizonte, que, com certa dificuldade, todos os dias se desloca até Betim, na região metropolitana da capital, para chegar ao trabalho, em uma biblioteca de escola pública. Seus constantes atrasos podem colocar seu emprego em risco. Um dia, porém, ele conhece Luisa, interpretada pela potente Grace Passô, e tudo se transforma.
O longa, filmado em dez dias, também roteirizado por André, acompanha um dia na vida dessas duas pessoas. Um único dia que pode mudar tudo. Para sempre. Inspirado em imagens já vistas em filmes como “Cemitério do Esplendor”, do Apichatpong Weerasethakul; e “Um Alguém Apaixonado”, Abbas Kiarostami, outro elemento forte no longa é a trilha sonora que combina rap com música clássica.
Também se destaca na imensidão de filmes na Mostra, entre premiados e novidades, a co-produção Argentina/Espanha “Fechar os Olhos”, de Victor Erice que, em 1973 lançou o que se tornaria aclamado por muitos como a obra-prima do cinema espanhol, “O Espírito da Colmeia”. De lá pra cá, Erice — que trabalhou em clipes, curtas e roteiros — só lançou dois longas-metragens: “O Sul” e “O Sol de Marmelo”.
No novo trabalho do diretor, o personagem Miguel Garay, interpretado por Manolo Solo, é um cineasta cujo segundo e último filme foi interrompido há 22 anos quando seu astro e melhor amigo Julio Arenas (Jose Coronado) sumiu sem deixar um traço. A produção resulta em uma elogiável imersão sobre o envelhecimento, quando o personagem central é convidado para um programa true-crime sobre o desaparecimento de Julio. O passado vem à tona e retorna com pessoas que marcaram sua trajetória.
Entre elas, uma antiga paixão chamada Lola, vivida pela talentosa atriz e cantora Soledad Villamil, uma das curadoras do Festival de Cinema de Gramado. O filme tem 169 minutos que se diluem, graças à qualidade de seu elenco, em emoção, seja ela o humor de dois homens velhos, a troca de olhares com saudade quando revê Lola ou o luto nunca processado na conversa com a filha do amigo desaparecido do protagonista. Ao final, uma das forças da produção é trazer um olhar sobre a arte e o cinema em particular como forma de recuperar o que foi perdido.