Entra em cartaz nos cinemas, nesta quinta-feira, o longa-metragem “A Terra do Meu Pai” (Fatherland), uma coprodução dirigida por Paweł Pawlikowski. A narrativa se passa na Europa do pós-guerra a partir do personagem de Thomas Mann, interpretado por Hanns Zischler, quando retorna para sua terra natal, a Alemanha, após 16 anos de exílio nos Estados Unidos. Vencedor do prêmio Nobel, o escritor leva, para acompanhá-lo na viagem pelo país em 1949, a filha, Erika (Sandra Hüller, que ganhou destaque pelas atuações em ‘Zona de Interesse’ e ‘Anatomia de uma Queda’). Ela não apenas faz companhia ao pai, mas também é secretária, motorista em um carro Buick preto e a tradutora em entrevistas para imprensa estrangeira.
Nesta narrativa ficcional, Thomas Mann vai receber o prêmio Goethe. Ele encontra uma Alemanha dividida entre Ocidental e Oriental. A entrada é por Frankfurt. Depois segue para Weimar, no lado oriental, sob domínio dos soviéticos. Ao ser questionado pela decisão de ir para a região leste, Mann argumenta que Goethe nasceu em Frankfurt, mas viveu boa parte de sua vida em Weimar e por isso ele acreditava ser digno receber o troféu tanto de um lado como do outro.
Apesar de ser recebido com pompa nos lugares onde chega, se torna perceptível um sentimento de ressentimento e revolta contra o autor por parte de alemães que permaneceram no país durante a 2ª Guerra Mundial. Um jornalista chega a lhe perguntar, em uma entrevista coletiva, se Mann não deveria ter permanecido na Alemanha em solidariedade ao seu povo. O escritor responde que não estaria ali naquele momento se tivesse ficado. Com elegância, responde todas as perguntas, enquanto na vida privada enfrenta as contradições de sua existência, problemas familiares e as ruínas ainda presentes como consequência do conflito. A ruptura se apresenta interna e externa nessa trajetória.
Desta forma, este longa-metragem de 82 minutos reflete sobre identidade, cultura, pertencimento e o período da Guerra Fria. No Festival de Cinema de Cannes 2026, levou o prêmio de Melhor Direção para Pawel Pawlikowski, cineasta de origem polonesa que já venceu o Oscar de Filme Estrangeiro em 2015 com “Ida”. A fotografia em preto e branco reforça a parceria já existente com o fotógrafo Lukas Zal.
OUTRAS ESTREIAS
Os lançamentos nos cinemas contam ainda com uma nova versão de “Razão e Sensibilidade”, clássico da literatura de autoria de Jane Austen, agora pela mãos da diretora Georgia Oakley. A história acompanha duas irmãs britânicas.
Também entra em cartaz “100 Dias”, filme inspirado na autobiografia de Amyr Klink. O navegador é interpretado por Filipe Bragança, sob a direção de Carlos Saldanha.