O cantor, compositor e violonista Jason Mraz voltou a Porto Alegre após 16 anos e meio, nesta terça-feira, dia 10, no Araújo Vianna, e não deixou por menos, apresentando 23 canções durante duas horas e proporcionando muita interação com a plateia, com diversas frases em português, além de músicas que tratam de amor, paz e existencialismo, com uma banda competentíssima e coreografias divertidas.
A apresentação de Mraz começou às 21h28min, com os belos acordes de “Getting Started”, do mais recente álbum “Mystical Magical Rhythmical Radical Ride” (2023). Ao executar a segunda canção, “Love Someone”, Jason já chamou o público para cantar junto o refrão e quando a música terminou, ele já queria ler os cartazes das fãs e dos fãs, que gritavam “eu te amo”. “Eu estava com saudades de vocês. Igual aos brasileiros não existe ninguém no mundo (em português). E agora respirem fundo que vem mais uma canção”, disse o músico de 48 anos, enquanto a banda iniciava a clássica “Have It All”.
O diálogo com a plateia foi sempre agradável. E antes de tocar “A Beautiful Mess”, ele falou que as pessoas perguntam a ele porque ele só vê tudo pelo lado positivo e ele diz que não, mas que a música dele, sim. Em “Song for a Friend”, além da beleza da canção, foi a vez de se destacar a guitarrista Molly Miller, vestindo a sua camiseta estilizada de seleção brasileira, fraseando as notas do solo com a boca, como os grandes guitarristas de rock e de blues.
As canções foram se seguindo com algumas falas do músico com a plateia, como “Living in the Moment, “Long Drive”, entre outras. Entre as falas, ele se dirigiu ao privilégio de estar no palco fazendo o que gosta. “Minha vida tem muitas bênçãos”. E ao elogiar as mulheres, dedicou a próxima canção com aquela levada meio reggae às mulheres sábias, “Wise Woman”: “'Cause she the wise, wise woman, woman, woman/ She keeps my mind open, mind open” (porque ela é uma sábia mulher/ ela mantém minha mente aberta).
No bloco final do show, ele cantou algumas clássicas como “Lucky”, “Details in the Pacific”, algumas como solos de guitarra de Molly e outras com o sax virtuoso de Rachel Mazer, tudo garantido pela cozinha segura e intensa de André de Santanna (baixo) e Tamir Barzilay (bateria). A banda foi um espetáculo à parte, pois além da qualidade musical e da virtuosidade, participava das canções com coreografias muito divertidas. Ao anunciar “Unfold”, ele disse que a canção remetia ao seu início, em 1999. Outra parceria que funcionou bem no show foi de Jason com a vocalista, guitarrista e percussionista Chaska Potter e em “Lucky”, que é feita para um duo, a voz de Chaska, que é egressa da banda que sempre acompanhou Jason, a Raining Jane, se sobressaiu em agudos impressionantes e que impressionaram o público gaúcho.
Com a música mais famosa da sua carreira, “I´m Yours”, cantada por absolutamente todas as pessoas da plateia, Jason Mraz encerrou o show, mas se sabia que voltaria para o bis: ‘But I won't hesitate no more, no more/ It cannot wait, I'm yours”, todos repetiam em uníssono, com aqueles acordes que marcam os fãs há 18 anos.
Na volta para o bis, ainda foi tocada a calmíssima “Love is Still Answer” e as duas mais do que clássicas “93 Million Miles” e “I Won´t Give Up”, estas duas também cantadas em êxtase pela plateia. Houve ainda um solo de bateria muito bom de Tamir Barzilay. Durante três momentos do show, Jason desceu do palco para estar com o público, um deles foi ao final da apresentação, quando completava duas horas de show. Ao voltar para o palco e agradecer ao calor do público, ele disse: “Eu queria agradecer a vocês por terem escolhido ficar conosco esta noite”. E todos foram para casa com uma sensação de alegria e de que o amor realmente pode existir nas canções e na vida real.