Arte & Agenda

Duas mulheres revelam o autoritarismo de suas épocas

Espetáculo “O Plantio das Palavras”, com texto e direção de Denizart Fazio, se passa em 1964 e 2021

Emilie Becker e Janaína Mello protagonizam montagem sobre mulheres que dedicaram suas vidas à luta contra a ditadura civil-militar brasileira
Emilie Becker e Janaína Mello protagonizam montagem sobre mulheres que dedicaram suas vidas à luta contra a ditadura civil-militar brasileira Foto : Cassio Rothschild

Duas mulheres que vivem em momentos específicos da história brasileira (1964 e 2021), separadas por mais de cinquenta anos, veem-se em situações muito similares: o enfrentamento à repressão política. Este é o mote de “O Plantio das Palavras”, de Denizard Fazio, que estreia hoje, com sessões às 18h30min e 20h, até a próxima sexta, pelo canal do Youtube do Infinito Ontem. 

O espetáculo audiovisual com Emilie Becker e Janaína Mello é o desdobramento de um trabalho maior, cuja pesquisa iniciou antes da pandemia, chamado “Infinito Ontem”, que será montado presencialmente quando passar o período de distanciamento social. Segundo o diretor e autor, Denizart Fazio, a base desse trabalho é a discussão sobre mulheres que dedicaram suas vidas na luta contra a ditadura civil-militar brasileira.
Na obra, uma mulher acorda de um pesadelo que anuncia acontecimentos do passado próximos à sua realidade. Nele, a sociedade está tomada por forças teocráticas e conservadoras que se aproximam cada vez mais dos militares. A narração de seu sonho se alterna com cenas do passado que revelam informações sobre a antiga inquilina dessa mesma casa - uma militante oposta à ditadura que escrevia cartas e poemas sobre seu tempo, entre as quais constam planos para uma revolução capaz de desarmar as forças do regime militar.

Sinopse: 
Em 2021, uma mulher encontra um conjunto de cartas no assoalho de sua casa, cartas de militantes contra a repressão militar em 64, e passa a investigar um suposto grupo de sabotagem a prédios ligado à repressão chamado “O Plantio das Palavras. Em 1964, uma mulher precisa deixar informações sobre os planos de enfrentamento à repressão ao mesmo tempo em que foge dos primeiros perseguidores do que se configuraria como o regime militar brasileiro. Cinco décadas a separam de uma mulher que vive na mesma residência que a sua. As ações dessas mulheres, que produzem espécies de encontros no tempo, são a base de uma peça que investiga possibilidades de atualização das lutas sociais e constituição de memória histórica.  

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