Um livro é feito por muito mais do que as palavras que o compõem, uma cadeia de produção extensa está por trás de cada página. É neste ponto que uma parceria entre dois amigos de infância de Novo Hamburgo ganhou, neste ano, um novo formato: a editora independente Trote, que, sob o comando de Lucas Reis Gonçalves e Victor Wolffenbüttel, chegou ao mercado com a proposta de publicar livros que tenham não apenas qualidade literária, mas também uma identidade visual e editorial próprias.
Os dois cresceram compartilhando interesses por literatura. Os caminhos profissionais, porém, foram diferentes. Victor é formado em Administração e trabalha em um banco, mas sempre manteve o interesse pela escrita e pela edição. Em 2018, criou a Quasar, um fanzine eletrônico que reunia textos próprios e de amigos. Lucas foi um dos primeiros colaboradores da publicação. Formado em Letras, ele trabalha com edição de livros técnico-científicos. A experiência acabou se somando à iniciativa de Victor.
“Eu sempre tive muito interesse, muita paixão por literatura e sempre gostei de editar e publicar publicações no geral”, conta Victor. Foram cerca de dois anos de preparação até que, em 2026, a editora começasse efetivamente a publicar seus livros. A divisão de tarefas reflete justamente suas experiências profissionais. Victor concentra-se na administração e Lucas acompanha de perto a produção dos livros. Porém, a curadoria e a leitura são compartilhadas. “Somos editores no sentido mais antigo daquele editor que pega, lê, conversa com os autores”, explica Lucas.
A estreia da Trote foi com “Fora”, livro de autoria de Lucas. A publicação serviu também como laboratório da nova editora. Depois vieram “Praças Perdidas”, de Iuri Müller, e o terceiro título do catálogo, “Mãe, primeira pessoa”, de Gabriela Dal Bosco Sitta, será lançado no dia 22 de agosto, às 15h, na Livraria Paralelo 30 (Rua Vieira de Castro, 48). O mais novo ensaio investiga a experiência ambivalente da maternidade a partir das memórias e obras das escritoras Jane Lazarre e Rachel Cusk. O livro aproxima teoria literária e psicanálise para questionar a representação idealizada da mãe e recuperar a maternidade como experiência humana, marcada também por conflitos, dúvidas e contradições.
Os três primeiros livros funcionam, nas palavras dos editores, como “cartão de visita” da Trote. A intenção é apresentar ao público e a outros autores a linha editorial da casa. “Lançar os três primeiros livros foi o nosso cartão de visita. A nossa maneira de dizer: "Estamos aqui, esta é a qualidade que queremos para os nossos livros e este é o tipo de texto que achamos bom”, comenta Lucas.
A Trote já começou a receber originais pelo site e pretende ampliar o alcance do catálogo. O quarto livro está em preparação e deve representar uma tentativa de sair do circuito predominantemente regional e chegar a autores e leitores de outras partes do país. Além dos originais enviados por autores, a editora também estuda projetos próprios, como traduções, relançamentos e obras de escritores que integram suas referências.