Arte & Agenda

Educação e preservação, Brasil e França no foco da CineOP

Festival se encerra na segunda-feira, dia 30, pela noite ocorrerá a premiação dos destaques da mostra

Mesa internacional “Promover o Cinema de Patrimônio: Vitrine Cultural ou Mercado Real”, conduzida por Gérald Duchaussoy,
Mesa internacional “Promover o Cinema de Patrimônio: Vitrine Cultural ou Mercado Real”, conduzida por Gérald Duchaussoy, Foto : Marcos Santuario / Especial CP

O penúltimo dia da 20ª Mostra de Cinema de Ouro Preto (CineOP) reafirma seu compromisso com a educação e a preservação audiovisual, pilares fundamentais que sustentam sua proposta desde 2006. Com uma intensa agenda de encontros, debates e masterclasses, o festival reforça sua vocação como espaço coletivo de reflexão, mobilização e definição de políticas públicas.

Um dos momentos mais aguardados da manhã foi a mesa internacional “Promover o Cinema de Patrimônio: Vitrine Cultural ou Mercado Real”, conduzida por Gérald Duchaussoy, responsável pela seção Cannes Classics no Festival de Cannes e pelo Mercado Internacional de Filmes Clássicos do Festival Lumière. O evento, que ocupou o Auditório I do Centro de Convenções, trouxe à tona questões cruciais sobre restauração, curadoria e circulação comercial de obras históricas. Duchaussoy, com a mediação de José Quental (curador da temática preservação), destacou, entre outras questões: “Qual o peso real da restauração […] existem caminhos sustentáveis para circulação comercial de filmes do passado fora do circuito cultural?”.

O encontro inflamou o público por propor um olhar sem hegemonias: parecia evidente que a salvaguarda dos acervos não pode ser vista apenas como produto de mercado, mas também como instrumento educativo e identitário.

Ao longo do dia, outras rodas de conversa expõem o alcance do evento — como o Encontro Nacional de Arquivos e Acervos Audiovisuais e o Fórum da Rede Kino, que seguem até o encerramento amanhã, além do lançamento de livros relacionados às temáticas do evento .

A curadoria da CineOP estruturou a programação em três eixos temáticos — preservação, história e educação — com atividades gratuitas em locais simbólicos, como a Praça Tiradentes, o Cine-Museu da Inconfidência e o Centro de Convenções. Sessões cine-escola, oficinas, exposições e mostras audiovisuais ocuparam o espaço urbano e educacional de Ouro Preto, promovendo acesso de estudantes e a construção de uma consciência cidadã, fomentada por meio do audiovisual.

Amanhã, segunda-feira, 30 de junho, será o grande desfecho. À noite, a CineOP celebrará a premiação dos destaques da mostra, seguida da exibição de um clássico de Charles Chaplin, em projeção gratuita na Praça Tiradentes. Será um encerramento à altura: reunindo público diverso para homenagear o cinema como patrimônio vivo e ativo — ora em debate, ora em festa.

Com duas décadas de história, a CineOP consolida-se não apenas como festival, mas como foro de ideias e ações que integram educação cinematográfica e preservação cultural. O saldo até aqui reflete o legado e o futuro dessa união: preservar é educar, educar é garantir que a história siga pulsando — na tela, nas memórias e na praça.

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