O concerto reúne parte da obra orquestral de Gismonti em arranjos para piano e orquestra de cordas, como "A Fala da Paixão", "Memória" e "Fado", "Sete Anéis" (composta originalmente para o Balé da "Ópera de Colônia", na Alemanha), "Sonhos de Recife" e "Forrobodó". Integram ainda o repertório peças arranjadas por Gismonti para piano solo e também "Bodas de Prata & Quatro Cantos", composição para piano e violoncelo já gravada por Yo Yo Ma, violoncelista francês de origem chinesa reconhecido internacionalmente.
Para a abertura do concerto foi escolhido o primeiro movimento da suíte "Sertões Veredas". Essa peça, em sete movimentos, é uma homenagem à miscigenação brasileira e tem sido apresentada na íntegra por algumas orquestras estrangeiras, como a Filarmônica de Tóquio e a Camerata Romeu, de Cuba. O movimento interpretado em Porto Alegre baseia-se num mote de rabequista com muitas variações orquestrais, que sugerem uma viagem pela paisagem musical brasileira.
Desde os anos 70, Gismonti é uma unanimidade entre os apreciadores da música instrumental brasileira, apresentando uma obra marcada pela pesquisa musical e a experimentação. Nascido em berço musical, iniciou sua formação ao piano com cinco anos de idade. Mais tarde, estudou música dodecafônica com Jean Barraqué e análise musical com Nadia Boulanger.
No ano de 1969, lançou seu primeiro disco, "Egberto Gismonti". Em 1976 gravou com o percussionista Naná Vasconcelos o seu primeiro disco para a gravadora ECM, hoje o clássico "Dança das Cabeças". Desde então lançou muitos outros álbuns. Um dos mais recentes é o "Duetos", que registra a parceria com seu filho, o violonista Alexandre Gismonti, uma produção conjunta do selo Carmo, de Gismonti, e também da ECM Records.