Se em 2016 duas bandas de Brasília serão responsáveis pela abertura dos shows do Guns N’ Roses no Brasil, em outras ocasiões a tarefa foi desempenhada pelos gaúchos da Rosa Tattooada. Em 1992, eles abriram três apresentações de Axl Rose e sua trupe, duas em São Paulo e uma no Rio de Janeiro, e em 2010 repetiram a dose aqui em Porto Alegre - onde, dessa vez, a função ficará a cargo da Scalene, que nas demais cidades da tour deixa o posto para a Plebe Rude.
Hoje com 28 anos de estrada, no início da década de 90 a Rosa Tattooada dava seus primeiros passos e gravava um disco homônimo pela gravadora Sony Music, no estúdio de Gilberto Gil no Rio de Janeiro, quando recebeu o convite para abrir shows do Guns. O vocalista e guitarrista Jacques Maciel conta que outros grupos de São Paulo também mandaram material, “até que veio um fax dizendo que a produção deles havia nos escolhido”.
No entanto, Jacques diz que a proposta foi recusada em um primeiro momento por causa do histórico negativo de bandas locais abrindo shows internacionais naquela época, envolvendo questões como a falta de estrutura e de equipamentos de qualidade. “Como seria a primeira vez que a gente se apresentaria no centro do país, achamos que seria um pouco arriscado e negamos. Mas logo depois o pessoal da produtora nos ligou e nos deu todas as garantias de que a gente poderia levar nossa equipe e teria uma qualidade de som bacana”, fala.
Com os problemas resolvidos e a vontade de tocar, aquelas três apresentações acabaram marcando a história do jovem grupo que estava ao lado de um Guns N’ Roses divulgando “Use Your Illusion”. “Os shows de 92 foram de êxito total, um sucesso. Eles ajudaram demais a difundir o nome da Rosa Tattooada para o resto do país”, afirma Jacques.
Fora do palco, sobrou espaço também para chegar perto dos ídolos - menos de Axl Rose, que estava brigado com o restante do grupo e acabava chegando depois e saindo antes, além de ter um camarim exclusivo. Apesar do clima conturbado internamente, os outros integrantes foram legais com os guris, mesmo não permitindo registro em foto ou vídeo. “Uma lembrança que eu guardo com carinho é a do final do primeiro show, em 92. A gente tinha com uns 18, 19 anos, tinha acabado de tocar para 75 mil pessoas e na saída o tecladista Dizzy Reed chega dizendo ‘não, vocês têm que voltar, toquem mais um pouco, está demais’”, conta Jacques.
Outro momento vivido pela Rosa Tattooada nos bastidores envolve Slash e Duff McKagan. “Foi depois do nosso show no Rio, eles estavam na área dos camarins do Guns e nos abanaram de longe e fizeram uma nota 10 para a gente. Um fez o número um com o indicador e o outro o zero com a mão”, lembra o vocalista com carinho.
Por outro lado, em 2010 a situação foi bem diferente. Em função do atraso de mais de quatro horas para o começo do show do Guns, a Tequila Baby, que também abriria, não subiu ao palco e a Rosa Tattooada mostrou apenas três músicas - antes ainda de Sebastian Bach.
“Todo mundo estava lá desde as 11h e foi tudo atrasando. Já era noite quando veio um comunicado oficial de que não iríamos tocar. Até que depois veio alguém da produção do Rio de Janeiro e falou que poderíamos tocar por 15 minutos e nós fomos, com uma condição técnica horrorosa e galera brava, xingando e vaiando, mas a gente sabia que não era conosco. Fomos todos vítimas da circunstância daquele momento”, comenta, assegurando que ali não houve qualquer tipo de contato com o Guns.
Apesar das complicações do último show, Jacques garante que sobra admiração pelo Guns, mesmo não sendo mais um fã ativo. Em 2014, a Rosa Tattooada chegou a ser convidada para novamente abrir a apresentação da banda na Capital, mas que preferiu realmente não aceitar, pois decidiu encerrar a participação em shows internacionais com o Kiss, dois anos antes. “Tenho muito carinho por essa história que a gente tem, mas francamente não é minha banda do coração. É claro que nos influenciou, e influenciou toda a nossa geração, mas confesso que já estou em outra vibe, sou muito mais fã do Kiss, do Led Zeppelin e do Black Sabbath. Mas o Guns é uma grande banda”.
Agora, ele não poderá ir assistir ao show do Guns em função dos compromissos da Rosa Tattooada, que está na estrada divulgando o DVD “RosAcústica”, recentemente disponibilizado na íntegra no YouTube. No entanto, ele avalia que será uma momento único para quem for ao Beira-Rio nesta terça conferir Axl, Slash e Duff McKagan juntos no palco. “Vai ser um grande espetáculo e acho que a nossa cidade e o país estão precisando desse revival do rock. Estou feliz que o Guns esteja de volta, em um período em que também tivemos o Aerosmith e ainda teremos o Black Sabbath, e espero que isso dê um up na coisa do rock, para a garotada ter ídolos do rock, querer tocar guitarra e não apenas comprar celular”, conclui.
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Jacques Maciel, da Rosa Tattooada, abriu para Axl e sua trupe em quatro shows pelo Brasil