A exposição tenta por ordem em um "período pouco compreendido do pintor", segundo Tom Henry, um dos curadores da exposição, já que seus quadros dessa época apresentam problemas de cronologia e ele não trabalhou sozinho, o que torna difícil às vezes separar sua obra da de seus pupilos, em especial Giulio Romano e Gianfresco Penni.
De fato, a exposição cobre uma trajetória que vai de 1513, quando Rafael trabalhou em Roma por cinco anos decorando os monumentais aposentos do Vaticano junto com outros importantes artistas italianos, como Miquelangelo por exemplo, até 1524, quatro anos depois da morte do mestre. Além disso, a mostra inclui parte da obra realizada pelos pupilos do artista.
A exposição, a primeira feita sobre o período tardio do pintor, permitiu reunir 44 pinturas, 28 desenhos, uma peça arqueológica e um tapete, procedentes de 40 instituições diferentes, incluindo o Louvre e o Prado. "O Louvre e o Prado reúnem um conjunto grandioso de obras do pintor”, afirmou Miguel Falomir, chefe do Departamento de Pintura Italiana e Francesa (até 1700) do Prado, que há cinco anos teve a ideia de realizar a mostra.
O evento será dividida em âmbitos temáticos como os quadros de altar, Virgens e Sagradas Famílias de grande formato, Virgens e Sagradas Famílias de pequeno formato e retratos, assim como um setor dedicado ao seu pupilo Giulio Romano e outro à "Transfiguração", quadro que está nos Museus Vaticanos. A "Transfiguração" exibida em Madri é uma cópia feita pelo ateliê do próprio Rafael, que chegou à Espanha no século XVII.
Além disso, entre as obras expostas destacam-se criações como "A pérola" ou "A Sagrada Família de Francisco I", junto com retratos como o de "Baldassare Castiglione", amigo do pintor, que poderá ser apreciado pela primeira vez na Espanha. "É uma forma de saldar uma dívida pendente com Rafael", disse Falomir, que lembrou que "quando o Museu do Prado abriu suas portas em 1819, Rafael era a grande estrela" até que no final os gostos mudaram e Velázquez superou o pintor renascentista. A exposição será inaugurada na segunda-feira pela rainha Sofía, antes de sua abertura ao público, na terça-feira.