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Em Porto Alegre, Emicida retorna às raízes na turnê de releitura do clássico dos Racionais MC's

O rapper apresentou-se no Auditório Araújo Vianna neste sábado para a turnê "Emicida Racional MCMV Tour"

Mais de 3,5 mil pessoas estiveram presentes na apresentação do disco "Emicida Racional VL 2 – Mesmas Cores & Mesmos Valores"
Mais de 3,5 mil pessoas estiveram presentes na apresentação do disco "Emicida Racional VL 2 – Mesmas Cores & Mesmos Valores" Foto : Lau Baldo / Divulgação / CP

Para Leandro de Roque Oliveira, o Emicida, a palavra escolhida para resumir seu retorno a Porto Alegre na noite deste sábado, dia 4, foi “inteireza”. Entre as rimas, o rapper voltou para casa com os fundamentos do gênero que transformou sua carreira. Recitando poesias que são como artes sonoras, suas palavras chegaram aos ouvidos como um abraço caloroso e acolhedor. Foram 3,5 mil pessoas presentes no Auditório Araújo Vianna para o show da turnê "Emicida Racional MCMV Tour", que apresentou seu recente trabalho, "Emicida Racional VL 2 – Mesmas Cores & Mesmos Valores". Lançado em novembro do ano passado, homenageia os Racionais MCs e o álbum do grupo paulistano “Cores e Valores”, lançado em 2014.

Com uma arruda atrás da orelha, o rapper subiu calmamente ao palco, vestindo um moletom que exibia a capa da sua mixtape de estreia, “Pra Quem Já Mordeu um Cachorro por Comida, até que Eu Cheguei Longe…”, lançada em 2009 e que consolidou seu nome na cena nacional. Na primeira faixa desse mesmo disco, Emicida canta que “quando os caminhos se confundem, é necessário voltar ao começo”. É o que ele faz com MCMV, retornando às raízes do rap e reconectando-se com a sua história.

Show foi dividido em cinco atos e ambientado em um jogo de luzes vermelhas | Foto: Lau Baldo / Divulgação / CP

Dividido em cinco atos e ambientado em um jogo de luzes vermelhas, o show contou com monólogos, homenagens e um espetáculo à parte com participações de DJ Nyack e a backing vocal Érica Silva. A apresentação equilibrou faixas do trabalho inédito, como "Mesmas coisas e mesmos valores', "A mesma praça", "Quanto vale o show memo?" “Compreender tudo é perdoar tudo” e “Us memo preto zica”. Porém, não ficaram de fora as de outros discos, como AmarElo, fez os fãs cantarem a plenos pulmões “Ismália”, “Principia”, “É tudo para ontem”, “Quem tem um amigo” e a música que dá nome ao álbum. Ainda, as mais antigas, como “Ooorra…”, “Papel, Caneta e Coração” e Santo Amaro da Purificação.

O filho de Jacira Roque Oliveira também trouxe “Mãe”, em homenagem à matriarca, que morreu no ano passado. Ao final da canção, o telão exibiu a palavra "Tupananchiskama", expressão do idioma Quéchua que significa "até que a vida volte a nos encontrar novamente”, e que não existe “adeus”.

Entre as últimas canções, Emicida chamou ao palco os rappers Cristal, Neguinha MC e Wagzin, que improvisaram uma batalha de rima e finalizaram o encontro de gerações com “Triunfo”. A parceria com os artistas considerados destaques na cena urbana gaúcha prova que o rap de Emicida chega às vozes dos novos artistas para levar seu legado adiante.

Emicida chamou ao palco os rappers Cristal, Neguinha MC e Wagzin | Foto: Lau Baldo / Divulgação / CP

Um importante espaço que provoca esse mergulho e mantém viva a história do hip hop gaúcho é o Museu da Cultura Hip Hop, onde o rapper esteve na tarde deste sábado para uma sessão de autógrafos. Antes mesmo de Emicida chegar ao local, todas as fichas disponíveis para o público já tinham sido esgotadas. O fundador do Museu da Cultura Hip Hop RS, Rafa Rafuagi, citado pelo rapper no show, destacou a importância da presença de Emicida no espaço simbólico. "É uma relação histórica do Emicida, tanto com o hip hop gaúcho, em especial com o museu e comigo". A visita também marcou uma parceria entre o museu com a editora e selo musical independente do rapper, Cecropia.

Para Rafuagi, que conhece o rapper há 20 anos, o álbum não só faz uma releitura dos clássicos do Racionais, mas traduz o que as pessoas viveram na época relatada nas músicas. “E é um desejo da nossa geração de querer ver esse Brasil cada vez mais diverso e plural, principalmente vencendo as estruturas, sejam elas racistas, machistas, homofóbicas e sexistas”.

Ao som de "A Ordem Natural das Coisas", Emicida desceu do palco e apertou uma a uma das mãos de fãs que estavam à frente do palco. Ao olhar para a plateia, que provocava uma espécie de onda a cada vez que fazia o movimento com os braços, se chega à conclusão que o rapper tem maestria em se conectar com seu público. Em pé do início ao fim, repetiam tudo o que ele pedia e conduzia ao longo do show. Tamanho envolvimento nem deu conta de perceber que já haviam se passado três horas. “O tempo voa quando a gente se diverte”, resumiu o cantor, que fazia uma reverência a cada término de canção. A inteireza que citou no meio do espetáculo é categórica. Em meio a poesias, rimas e discursos potentes, quando se está totalmente presente no palco, todos tornam-se um.

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