Toda temporada de Emmy nasce cercada de apostas, favoritismos e campanhas milionárias. Mas 2026 parece reunir o ingrediente extra da sensação de que algumas histórias estão prestes a ser escritas diante dos olhos da indústria. Entre o poder tradicional das grandes produções americanas e a crescente relevância internacional do audiovisual, a corrida deste ano promete ser das mais imprevisíveis da década.
No cenário internacional, o Brasil já teve muitas indicações e 22 vitórias acumuladas ao longo da história do Emmy Internacional. Com isso, o País consolidou uma reputação rara. Tem conseguido, a cada ano, transformar narrativas locais em fenômenos globais. Novelas, minisséries, documentários e produções infantis brasileiras deixaram de ser apenas produtos de exportação para se tornarem referências de qualidade em mercados cada vez mais disputados. A expectativa agora recai sobre quais títulos conseguirão repetir, este ano, o caminho de clássicos como “Caminho das Índias”, “Império”, “Órfãos da Terra” e “Pantanal”. Para saber, basta aguardar o Emmy Internacional. O crescimento do streaming, a internacionalização das plataformas e a maturidade criativa do mercado brasileiro ampliam as possibilidades de indicação em categorias tradicionalmente dominadas pelos americanos.
A disputa do Primetime Emmy
Se o Emmy Internacional costuma ser terreno fértil para o Brasil, o Primetime Emmy, voltado à televisão norte-americana, chega cercado por uma disputa de gigantes. A lista oficial de indicados só será conhecida na próxima quarta-feira, mas os bastidores da indústria já apontam os títulos que devem monopolizar as atenções.
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Destaques nas categorias de drama e comédia
Na categoria de drama, poucos projetos despertam tanta curiosidade quanto “The Pitt”. A série surge como uma das produções mais comentadas do ano, enquanto “The Diplomat” e “Slow Horses” carregam o prestígio acumulado junto à crítica especializada. Já “Pluribus” aparece como o possível fator surpresa da temporada, aquela obra capaz de alterar completamente o roteiro das previsões. Entre as comédias, o cenário parece ainda mais competitivo. “Hacks” continua exibindo uma consistência impressionante, enquanto “The Bear” mantém sua condição de fenômeno cultural. “Abbott Elementary” segue forte graças à sua combinação de humor e comentário social, e “Widow’s Bay” tenta ocupar o espaço das grandes estreias que costumam surgir na reta final da disputa.
Os feitos históricos de HBO, Jean Smart e Zendaya
Mas nenhuma narrativa é tão fascinante quanto a construída pela HBO. A emissora pode alcançar um feito quase mitológico na história do Emmy. Jean Smart e Zendaya estão a poucos passos de algo que raríssimos artistas conseguiram. Eles podem vencer por todas as temporadas de suas respectivas séries. É uma combinação de longevidade, excelência e relevância cultural que desafia até mesmo os padrões da premiação. Jean Smart transformou Deborah Vance, protagonista de “Hacks”, em uma personagem histórica da televisão contemporânea. Aos 74 anos, segue colecionando aclamação crítica e demonstrando um domínio absoluto da categoria de comédia. No entanto, adversárias como Lisa Kudrow e Quinta Brunson prometem transformar a disputa em uma das mais equilibradas dos últimos anos.
Do outro lado está Zendaya. Se a terceira temporada de “Euphoria” confirmar as expectativas, a atriz poderá ampliar um legado já impressionante. Ela não apenas redefiniu o perfil da protagonista dramática da nova geração, como também se tornou um símbolo da capacidade de uma série dialogar simultaneamente com crítica, audiência e impacto cultural.
Em um mercado que se apresenta cada vez mais globalizado, o Emmy deixou de ser apenas uma premiação a ser aplaudida. É termômetro de influência cultural. E 2026 poderá ser lembrado como ano em que velhos campeões tentaram consolidar suas dinastias, enquanto novos protagonistas buscavam reescrever a história da televisão mundial. É ver para saber.