Arte & Agenda

Emoção e afeto no velório do músico e ator Zé da Terreira

Aberta ao público, a cerimônia de despedida está sendo realizada nesta sexta-feira, até 14h

Velório do Zé da Terreira acontece na Terreira da Tribo nesta sexta-feira, dia 10 de novembro
Velório do Zé da Terreira acontece na Terreira da Tribo nesta sexta-feira, dia 10 de novembro Foto : Guilherme Almeida

O corpo do músico e ator  Zé da Terreira está sendo velado nesta sexta-feira, dia 10 de novembro, até às 14h, na Terreira da Tribo ( Rua Santos Dumont, 1186), bairro São Geraldo, em Porto Alegre. O sepultamento será às 15h no Mausoléu da Casa do Artista Riograndense, no Cemitério São João (Rua Ari Marinho, 297).

Amigos e admiradores passaram pela Terreira da Tribo para se desperdirem e lembrarem da trajetória de Zé da Terreira. O artista morreu na última terça-feira, dia 7 de novembro, aos 78 anos, no Hospital Vila Nova, onde realizava tratamento para doença autoimune.

O palco de despedida não poderia ser outro: a Terreira da Tribo, espaço tão relacionado à trajetória de José Carlos Gonçalves Peixoto da Silva, que acabou virando seu nome artístico.  A história de ambos está profundamente relacionada.

Paulo Flores, ator e diretor fundador da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz, lembra da amizade com o Zé que começou em 1977 no Departamento de Artes da Ufrgs, quando ainda não existia Ói Nóis Aqui Traveiz. Anos depois, eles voltaram a se encontrar quando é inaugurada a Terreira da Tribo, em 1984, momento no qual o Zé passou a frequentar o espaço e participar de montagens e manifestações de rua, realizadas pelo coletivo artístico, sempre com temas pertinentes ao momento. Flores pontua que o Zé introduziu o tambor no teatro de rua do Ói Nóis Aqui Traveiz. "A gente comprou um surdo, e o Zé começou a compor para as intervenções cênicas. Ele gostava muito de samba e fez paródias em suas composições". 

Flores relembra ainda que a partir das várias performance de ruas, realizada no Centro da cidade e na periferia, as pessoas começaram falar: 'Zé, qual Zé? O Zé da Terreira'. Aí surge o nome e referência:  'Zé da Terreira'. Ele que se apresentava como Zé, passa a ser o Zé da Terreira. Flores ainda acrescenta: "A gente também chamava ele de Zezão, pois na Terreira hávia três Zés: o Zezinha, o Zé do Meio e o Zezão".  

O diretor pontua que nos ano 90, o Zé passou a ser convidados por outros grupos para performances e começou a ministrar oficias de tambor. "Ele tinha muito forte a questão da percussão e do canto - ele era um brilhante cantor. Com o tempo, passou a ser um mestre da percussão. Todos os grupos de teatro de rua de Porto Alegre beberam desta fonte, o Zé". Flores acrescenta que, no início de 2022, o Zé foi até a Terreira da Tribo ministrar oficinas e começou a ser gestada a ideia de fazer um espetáculo sobre a sua trajetoria. 

Tânia Farias, atuadora da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz, também revisita a amizade com o Zé da Terreira. "O Zezão era um homem forte e sensível ao mesmo tempo. Tudo o que acontecia afetava ele de forma profunda. Muitas vezes dizia que precisava de tempo para digerir o que estava acontecendo. Era bonito como ele respeitava o seu tempo", diz Tânia. 

Ela destaca que muitos artistas do teatro local aprenderam a tocar tambor com o Zé. Ela mesmo aprendeu a tocar com o músico. "Ele ensinava com a maior paciência e generosidade”, salienta. Tânia diz que, a partir de agora, toda a vez que a Terreira da Tribo tocar tambor, o Zezão estará presente.

Zé da Terreira na Casa do Artista Riograndense

Luciano Fernandes, ator e integrante da diretoria da Casa do Artista Riograndense, detalha que o Zé da Terreira morava desde 2001 na instituição. “Foi há uns seis meses que o Zé começou o tratamento para doença autoimune. Mas mesmo com problemas de saúde e aos 78 anos de idade, ele mantinha sua personalidade rebelde. Na sexta-feira, dia 3 de novembro, foi dar voltas pelo Centro Histórico”, comenta Fernandes. Na segunda-feira, dia 6, ele foi internado no Hospital Vila Nova, onde veio a falecer na terça-feira, dia 7.

Paulo Flores reflete sobre a situação dos artistas, principalmente dos que moram na Casa do Artista Riograndense. “Há um descaso total do poder público com os artistas e a situação que enfrentam”, reflete emocionado sobre a situação. A entidade sempre carece de ajuda financeira e solicita contribuições e doações. O mesmo aconteceu para o tratamento de saúde do Zé da Terreira. 

Guia de Programação: a grade dos canais da TV aberta desta sexta-feira, dia 16 de outubro de 2026

As informações são repassadas pelas emissoras de televisão e podem sofrer alteração sem aviso prévio