Arte & Agenda

Entre entulhos e objetos manuais, mostra tensiona limite entre arte e design na Casacor RS

Mostra Artifício reúne obras de 17 designers

Entulhos de obras compõem o cenário da Mostra Artifício
Entulhos de obras compõem o cenário da Mostra Artifício Foto : Fabiano do Amaral

A mão humana foi a primeira ferramenta para a produção de arte. Em um mundo cada vez mais tecnológico e automatizado, as habilidades manuais seguem sendo valorizadas como expressão das características singulares de cada território. Na Casacor RS 2026, a Mostra Artifício evidencia as obras de 17 designers e artistas de várias regiões do Brasil e provoca tensionamentos entre o que é arte e o que é design.

“Nessa curadoria eu quis colocar, justamente, esse lugar dos materiais e da mão humana como algo que produz através da natureza, o que a gente precisa e não precisa? E esses tensionamentos entre materiais são muito importantes, pra gente também entender qual é o lugar da arte, qual é o lugar do design no mundo que a gente vive, principalmente nesse mundo da decoração. O que gera também o colecionismo, o que gera o valor do objeto, que é o trabalho humano. Então, cada um faz do seu jeito, trabalha uma madeira do seu jeito”, afirma a curadora da mostra Camila Farina.

A Mostra Artifício é assinada pela Design Week POA e possui um espaço de 70 m², bem no centro do percurso montado no antigo terminal do Aeroporto Internacional Salgado Filho. Um dos aspectos que chama a atenção é o entulho de obra ao redor dos pedestais com os objetos.

“A cenografia provoca essa ruptura. Não é a toa que a gente estar aqui, no meio da Casacor, que é como se tivesse chacoalhando mesmo a percepção. Essa cenografia tem muito a ver com isso, com esse momento que a gente vive, onde o resíduo fala muito alto, o resíduo ocupa. Aqui a gente tem 70 m² de resíduo industrial e de outras obras para nos lembrar, que tudo que a gente produz, na verdade, acaba sendo resto em algum momento. E que esse resto pode ser usado. Pode ser reutilizado”, explica Camila.

Mostra Artifício tem curadoria de Camila Farina | Foto: Mauro Schaefer

Para ela, as manualidades são o que diferencia o design feito nas diversas regiões do país, conferindo identidade a cada obra, cada saber fazer.

“As manualidades estão vindo com muita força, principalmente, respeitando os materiais. Então, respeitar o imperfeito, respeitar a ação do tempo, isso tá muito atual, porque eu acho que é uma necessidade que a gente tem, de resgate”, afirma.

Entre as peças estão cadeiras, mesas, bancos e luminárias feitos com diversos objetos como madeira, pedra, metal, vidro e fibra. Cortinas da Hunter Douglas, tinta Coral na cor Madeira Esfumaçada e resíduos de revestimentos da Penz também integram a composição. Apresentada pela Galeria Bolsa de Arte, a seleção artística reúne trabalhos de Tulio Pinto, Hugo França, Bez Batti e Eduardo Haesbaert. O design aparece em criações de Rejane Carvalho Leite, Bruno De Lazzari, Daniel Wentz, Zanini de Zanine, Lisiara Simon, Casa de Marimbondo, Viola Pineider, Fabiano Salbego, Nae Estúdio, Hormigon, Pedro Gallasso, Alisson Quissini e Arquitetura Nacional.

A Casacor RS acontece no antigo terminal do Aeroporto Internacional Salgado Filho, na avenida dos Estados, 747, em Porto Alegre. Os ingressos custam a partir de R$ 48 e podem ser adquiridos no site da mostra. Os visitantes também podem votar no melhor espaço por meio de um totem eletrônico, que registra os votos ao final do circuito. O vencedor do Prêmio Correio do Povo Casacor RS 2026 será conhecido na cerimônia de encerramento do evento, no dia 4 de outubro.

Veja Também

Guia de Programação: a grade dos canais da TV aberta desta quinta-feira, dia 15 de outubro de 2026

As informações são repassadas pelas emissoras de televisão e podem sofrer alteração sem aviso prévio