Depois de dar vida a Silvio Santos no musical biográfico “Silvio Santos Vem Aí” - que marcou o retorno ao Brasil, em 2021, após 10 anos nos EUA -, Velson D’Souza estreou um novo e desafiador papel: o de Tommy DeVito, em “Jersey Boys”.
Ao contrário do último musical, onde quase não cantava, desta vez assumiu de vez os vocais, interpretando um dos fundadores do grupo The Four Seasons, no espetáculo onde une canto, atuação e dança. Paralelo à volta aos palcos, interpretou Tito na série “Paulo, o Apóstolo”, da Record. “Era um desejo de muitos anos trabalhar na Record e fazer série ou novela de época, bíblica. Assim que meu contrato terminou em outra emissora, recebi o convite para o teste e, semanas depois, veio a resposta positiva”, disse.
Em momento intenso, Velson equilibra gravações, ensaios e novos planos. Em 2026, estreia “Oleanna”, de David Mamet, com direção de Daniela Stirbulov, e “True West”, de Sam Shepard, que produz e atua ao lado de Fernando Belo. Também busca patrocínio para viabilizar o musical “As Pontes de Madison”, com direção de Gustavo Barchilon. Para ele, transitar entre teatro e audiovisual é realização pura.
Após viver Silvio Santos no musical “Silvio Santos Vem Aí”, agora interpretas novo e desafiador papel: Tommy DeVito, em “Jersey Boys”. Qual a diferença entre os personagens dos dois musicais?
É uma diferença gigantesca. A começar pelo fato de que todo mundo no Brasil tem uma memória afetiva e recente de quem foi Silvio Santos. Uma pessoa muito conhecida e muito imitada. Com uma voz muito característica. Já o Tommy, apesar de ter feito um sucesso estrondoso com o grupo, não é muito conhecido no Brasil. Então, para o Silvio eu tive que fazer uma trabalho de humanizar o personagem tão imitado, e já para Tommy não precisei focar tanto na parte da física. E em termos de personagens, eles são muito complexos, mas estão habitando áreas completamente diferentes. O Tommy é um badboy, envolvido com a máfia italiana. O Silvio, um comunicador e empresário habilidoso. Eles têm sua semelhança na forma como são eloquentes, mas são completamente distintos em relação a caráter.
“Jersey Boys” é o maior desafio da tua trajetória profissional? Como foi a preparação para viver Tommy DeVito?
É o maior desafio pois é um personagem completamente diferente de mim. E exige muito da parte vocal, como cantor. São duas horas e quarenta minutos de espetáculo em que o Tommy tem muita participação ativa, tanto cantando mais de 20 músicas em quarteto, como com muito texto. Equilibrar tudo tem sido desafiador. Nós tivemos alguns encontros entre os 4 protagonistas para estudarmos juntos com o diretor musical Jorge de Godoy toda a parte musical deste quarteto. Assim conseguimos atingir um nível muito bom de química e sintonia entre nós quatro. Eu pesquisei bastante a vida do Tommy, pra conseguir justificar o comportamento do personagem durante essa história que estamos contando.
Paralelo à volta aos palcos, viveste Tito, em "Paulo, o Apóstolo”. Como foi a experiência?
Foi uma experiência engrandecedora. Me reconectou com a espiritualidade, e me fez mergulhar num universo completamente diferente. Foi muito desafiador trabalhar com algo épico e construir um personagem bíblico. A Seriella e a Record têm uma estrutura incrível que ajuda a destacar o trabalho dos atores e a nos fazer mergulhar de vez nesse universo.
Em que Velson D’Souza se assemelha a Tito?
O Tito é um companheiro muito fiel e extremamente dedicado. Marido leal que se preocupa com o bem-estar dos outros, além de ser muito respeitoso. Ele é muito íntegro e nunca desiste de sua missão. Eu me identifico muito com essas características do Tito. Nesse sentido, somos muito parecidos. Eu gostaria de ter mais paciência e tranquilidade para lidar com adversidades, assim como o Tito demonstra ter.
Como foi atuar em uma novela bíblica?
É desafiador. Exige um nível de concentração e de imersão no material. A linguagem é mais elevada e rebuscada, então exige um trabalho muito grande de estudo de texto, mas também de humanização desses personagens, para que não fiquem “um só tom” e para que sejam críveis, reais, para que o público se identifique com eles.
Em 2026, estreia “Oleanna”, de David Mamet, em direção de Daniela Stirbulov, e “True West”, de Sam Shepard, que produzes e atuas com Fernando Belo. O que se pode esperar destes dois espetáculos?
São dois textos clássicos do teatro norte-americano que trazem temas muito preciosos para o debate público. Acredito muito no poder transformador e questionador do teatro, e esses espetáculos com certeza vão instigar e inspirar o público.
Buscas patrocínio para “As Pontes de Madison”? Quanto será preciso arrecadar?
Um espetáculo musical sempre demanda maior financiamento que uma peça de prosa. Ainda estamos em busca de patrocínio, sim.
És versátil. Transitas entre musicais, dramaturgia contemporânea, TV e produções bíblicas. Como isso acontece?
Eu acredito muito que interpretação é uma coisa só. Quando transitamos entre um meio e outro, apenas ajustamos um pouco a interpretação. Mas não encaro como algo distinto. Eu sempre parto do mesmo princípio para cada trabalho novo independente se é teatro, televisão, cinema. E eu tenho tido muita sorte de ter ofertas de trabalho em todas essas áreas. Uma sorte que tem sido construída nos últimos 23 anos com muito suor, estudo e dedicação.