Arte & Agenda

Entrevista: “Minha vocação musical vem desde a infância”, diz Soledad Villamil

Atriz e cantora se apresenta a partir das 21h no Teatro do Bourbon Country

Soledad Villamil se apresenta pela primeira vez em Porto Alegre
Soledad Villamil se apresenta pela primeira vez em Porto Alegre Foto : www.soledadvillamil.com / Divulgação / CP
Como afirma o produtor argentino Carlos Villalba, Soledad Villamil é talentosa em toda a forma de arte que se envolve e leva a sua carreira sempre em passo ascendente. A atriz e cantora argentina se apresenta pela primeira vez em Porto Alegre, na noite desta segunda-feira, às 21h, no Teatro do Bourbon Country (Túlio de Rose, 80, 2º pavimento). Os ingressos custam R$ 20,00 (platéia alta) e R$ 30,00 (platéia baixa) e ainda podem ser adquiridos no local.

Soledad é uma reconhecida e talentosa atriz e cantora argentina. Como atriz, se destaca no cinema, teatro e televisão. No Brasil, ela é mais conhecida por sua participação em dois filmes do cineasta Juan Jose Campanella: “O Mesmo Amor, A Mesma Chuva”, (1999) e o mais recente “O Segredo dos Seus Olhos” (2009), que recebeu o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.

Como cantora, ela iniciou sua carreira em 2006, e já gravou dois discos na Argentina: "Soledad Villamil Canta" (2007) e "Morir de Amor" (2009), onde interpreta tangos, milongas, boleros e chimarritas, alguns de sua própria autoria e outros de compositores como Alfredo Zitarrosa, Washington Benavidez, Luiz Cesar Amadori, Azucena Maizani e Atahualpa Yupanqui. No show, Soledad apresenta músicas dos dois discos como “Baldosa Floja”, "El Aguacero", "Qué Pena" e “Pero Yo Se”.

Para quem acha que a música é algo novo na sua vida, ela conta que a vocação musical vem desde a infância, mas que se bifurcou na adolescência com a vocação para a atuação. Admiradora da Música Popular Brasileira, Soledad já esteve em Porto Alegre no final dos anos 90 como atriz, apresentando o espetáculo "Glorias Porteñas", no Porto Alegre em Cena. Em entrevista exclusiva ao Correio do Povo, ela fala um pouco de música, cinema e sobre suas impressões de Porto Alegre:

Correio do Povo – Como se deu o início da sua carreira como cantora?
Soledad Villamil – A minha vocação musical a trago desde a infância. Na adolescência, ela acabou se bifurcando com a vocação de atriz. No entanto, mantive as duas instâncias de expressão juntas. A música era mais um elemento para a atuação. No espetáculo “Glorias Porteñas”, que veio ao Porto Alegre em Cena (5ª edição), em 1998, eu era uma jovem dos anos 30 e cantava. Assim, comecei novamente a tomar a canção como forma de expressão e em 2006, passei a dar-lhe um lugar mais importante do que o puramente expressivo, com a gravação de dois discos e um espetáculo simplesmente musical.

CP – O que prometes para este show do Festival de Inverno em Porto Alegre?
Soledad Villamil  – A ideia neste primeiro show no Brasil é seguir a turnê do disco “Morir de Amor”, apresentando um repertório variado que inclui canções do primeiro disco “Canta”. Tenho algumas músicas novas para apresentar. Uma delas é “Ya Trate de Olvidarte”, que tem arranjos de Jose Teixidó. Também devo tocar algumas chimarritas que não estão registradas em disco. São cerca de 17 músicas, talvez duas ou três mais para o bis.

CP – Tens projeto para um novo disco?
Soledad Villamil  – Estou trabalhando no novo disco, com a composição de algumas canções. Ele deve ser lançado em 2011. Não tenho preocupação com as datas, pois me interessa mais o processo de maturação das músicas. Prefiro o terreno da busca e da investigação. Nesta hora, que desfrutamos muito mais do que simplesmente marcar um lançamento e correr para gravar.

CP – Sabes que Porto Alegre é mais próxima de Buenos Aires do que do resto do Brasil. Conheces algo da Capital gaúcha. Sentes este estreitamento das duas cidades?
Soledad Villamil – Acredito que a proximidade da cultura destas duas cidades se deve a uma questão mais de latitude, a uma zona geográfica e cultural própria, a do Sul, e de identidade das pessoas, que gera uma espécie de irmandade. Conheço os músicos de Porto Alegre, como o Adriana Calcanhoto, por exemplo, por festivais e shows produzidos por Carlos Villalba em Buenos Aires.

CP – E da música brasileira, o que podes dizer?
Soledad Villamil  – Sou uma adoradora da música brasileira. Não gostaria de eleger alguém em especial, sob pena de esquecer de outros muito importantes, mas todas as manifestações da MPB que já ouvi são realmente maravilhosas.

CP – Para finalizar, nos fale um pouco sobre seus novos projetos para cinema e/ou teatro.
Soledad Villamil – Atualmente, além da música, estou me dedicando mais ao teatro. Tenho um estúdio de teatro em Buenos Aires, junto com o meu marido, o ator e diretor Federico Oliveira. Trabalhamos com atores e na investigação e pesquisa. Assim, podemos desenvolver uma visão mais profunda sobre a atuação. Me interessa seguir sempre atuando, não penso ainda em dirigir. Quanto ao cinema, tenho recebido alguns convites, mas ainda não me decidi por nenhum projeto. Asseguro que não é nenhum projeto novo de Campanella (Juan Jose, diretor de “O Segredo dos Seus Olhos”).

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